Dados do Cemaden indicam que volumes dos reservatórios ficaram abaixo do esperado e reacendem preocupação com a segurança hídrica

Gabriela Nogueira Publicado em 31/12/2025, às 07h22
O Sudeste do Brasil, com destaque para o estado de São Paulo, voltou a entrar em zona de atenção por causa da água. Um novo relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) mostra que a irregularidade das chuvas, somada ao calor intenso, agravou a situação dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.
No fim de dezembro, o Sistema Integrado Metropolitano operava com apenas 26,1% do volume útil. O índice é o mais baixo para o mês desde a crise hídrica de 2014 e 2015 e acende um sinal de alerta para o início de 2026. Para efeito de comparação, em dezembro de 2013, antes da pior crise da última década, os reservatórios estavam com 41,4% da capacidade.
Segundo o Cemaden, o cenário atual é resultado direto de um trimestre marcado por chuvas muito abaixo do esperado. Entre outubro e dezembro, período crucial para a recarga dos mananciais, o Sudeste acumulou um déficit médio de 113,7 milímetros. Em diversas áreas do estado, foram registrados mais de 50 dias sem precipitação, com localidades chegando a passar quase dois meses sem chuva significativa.
A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, destaca que a ausência prolongada de chuvas comprometeu a recuperação dos rios e reservatórios, mesmo em regiões que costumam reagir rapidamente durante o verão. De acordo com ela, o comportamento irregular das precipitações foi determinante para a queda acentuada dos níveis, mais do que o calor extremo registrado nos últimos meses.
O relatório aponta que, para uma recuperação consistente, seria necessário que os próximos meses apresentassem chuvas iguais ou superiores à média histórica. Ainda assim, as projeções não são otimistas. Mesmo em um cenário considerado favorável, com volumes 25% acima do normal, o Sistema Cantareira não ultrapassaria a marca de 60%, permanecendo próximo da faixa considerada crítica.
As previsões para janeiro indicam chuvas dentro da média ou ligeiramente abaixo do esperado, o que não seria suficiente para reverter o quadro. Além disso, a tendência é de que as vazões continuem reduzidas, especialmente nos principais sistemas de abastecimento da Grande São Paulo.
Especialistas alertam que, embora o momento ainda não exija medidas emergenciais como racionamento, a situação exige monitoramento constante e planejamento. A experiência da crise anterior mostrou que a combinação de estiagem prolongada e consumo elevado pode levar a cenários severos em pouco tempo.
O Cemaden reforça que a crise hídrica não se limita a São Paulo, mas o impacto no estado é mais sensível devido à alta concentração populacional e à dependência de sistemas interligados. Diante do quadro, a recomendação é de uso consciente da água e atenção às próximas atualizações climáticas, que serão decisivas para definir os rumos do abastecimento nos primeiros meses do ano.
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