Diário de São Paulo
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Ambulante morto por PM em SP deixa esposa grávida de sete meses; ministra de Senegal cobra esclarecimentos sobre o caso

Ngange Mbaye, comerciante senegalês, foi baleado por um policial na última sexta (11) durante uma abordagem no centro da cidade

Ngange Mbaye estava no Brasil desde 2010 e trabalhava com o comércio de roupas e acessório na região central de SP - Reprodução: Imagens | Redes Sociais
Ngange Mbaye estava no Brasil desde 2010 e trabalhava com o comércio de roupas e acessório na região central de SP - Reprodução: Imagens | Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 13/04/2025, às 13h38


O comerciante Ngange Mbaye, de 34 anos, que foi morto por policiais militares na última sexta-feira (11) durante uma abordagem no centro de São Paulo, deixou uma esposa grávida de sete meses. O casal realizaria um chá de bebê nesse domingo (13).

A viúva de Mbaye também é imigrante e vive no Brasil, onde o casal tentava construir uma nova vida desde 2010. Amigos próximos relatam que o ambulante estava ansioso com a chegada do primeiro filho e trabalhava diariamente com a venda de roupas e acessórios para garantir o sustento da futura família. Além disso, o comerciante também enviava dinheiro a outros membros de sua família que ainda residem em seu país de origem.

Com a morte do comerciante, a mulher de Mbaye ficou sem renda. Portanto, o advogado Adriano Santos, afirmou que os familiares pretendem processar o estado, além de pedir uma indenização e pensão.

Protestos e comoção internacional

A morte de Mbaye causou revolta entre testemunhas e teve repercussão internacional, especialmente em Senegal. A ministra da Integração Africana e dos Negócios Estrangeiros, Yassine Fall, se manifestou em um comunicado lamentando o falecimento do comerciante e cobrando esclarecimentos do governo brasileiro.

"Foi com grande tristeza e consternação que soube da notícia da morte trágica do nosso compatriota Ngagne Mbaye em São Paulo. Estão em curso medidas, por meio da nossa representação diplomática, para elucidar as circunstâncias dessa morte trágica", declarou a ministra.

Em São Paulo, manifestantes realizaram um protesto contra a morte do senegalês nas ruas do Brás, no centro da capital. O ato começou de forma pacífica, mas acabou em confusão com a Polícia Militar, que usou bombas de gás de pimenta para dispersar a multidão. Com cartazes nas mãos, entoando gritos de “justiça”, centenas de pessoas denunciaram verbalmente a violência policial. A manifestação contou com a presença de imigrantes africanos, ativistas de direitos humanos, integrantes de movimentos sociais e sindicatos. 

Imagem: Reprodução | Redes Sociais Lucas Martins @lucasport01

O que diz a polícia

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), o senegalês teria agredido os policiais com uma barra de ferro e, ao tentar fugir, foi baleado no abdômen. Mbaye foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado à Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. O caso teria acontecido durante uma operação de fiscalização contra o comércio de mercadorias ilegais na região central da cidade.

No entanto, essa versão é contestada por testemunhas e por membros da comunidade senegalesa. Relatos de pessoas presentes no local afirmam que Mbaye não ofereceu resistência e que a abordagem policial foi violenta.

A ocorrência foi registrada no 8º Distrito Policial como morte decorrente de intervenção policial e tentativa de homicídio, e o caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A SSP-SP informou que o agente envolvido foi afastado das atividades operacionais. ​


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