Zagueira Sarah Aysha afirma ter sido ofendida por maqueiro da Ferroviária durante partida em Araraquara; Ferroviária afirma que prestador de serviço foi desligado imediatamente após o caso

Julio Cezar Souza Publicado em 21/05/2026, às 11h32
A zagueira Sarah Aysha, do São Paulo, denunciou ter sido vítima de misoginia durante a semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, disputada nesta quarta-feira (20), na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, interior de São Paulo.
Segundo relato da atleta, um maqueiro ligado à Ferroviária teria a chamado de “biscate” enquanto ela recebia atendimento médico nos minutos finais da partida. Após o episódio, a arbitragem acionou o protocolo antirracista e de combate à discriminação previsto pela Confederação Brasileira de Futebol.
- A gente está numa categoria de base. A gente está aqui para aprender e, num momento daquele, o cara me mandar tomar no c....e me chamar de biscate, é inadmissível. A gente está treinando todo dia, o ano inteiro treinando longe da família para chegar um cara e me chamar de biscate fora do campo. É inadmissível. – disse Sarah ao sportv no fim da partida.
A árbitra Talita Ximenes de Freitas chegou a questionar Sarah sobre suas condições emocionais para continuar em campo. Mesmo confirmando que seguiria na partida, a defensora deixou o banco de reservas chorando e chegou a passar mal após a situação.
O maqueiro envolvido foi retirado do estádio logo após a confusão. Posteriormente, a Ferroviária informou que encerrou imediatamente o vínculo com o prestador de serviço, que não fazia parte do quadro fixo de funcionários do clube.
Em nota oficial, a Ferroviária repudiou o ocorrido, pediu desculpas à atleta e ao São Paulo e afirmou que a atitude não representa os valores da instituição. O clube também informou que irá revisar e intensificar os protocolos de orientação e supervisão de profissionais que atuam em dias de jogos.
“A conduta será apurada internamente e as medidas cabíveis serão adotadas”, afirmou a equipe de Araraquara no comunicado.
O São Paulo também se pronunciou após a partida e declarou que prestará todo o suporte necessário à jogadora. O clube ressaltou que não tolera qualquer forma de preconceito e cobrou responsabilização pelo episódio.
“O Futebol Feminino é gigante, e não há espaço para cenas lamentáveis como esta”, destacou o Tricolor paulista em nota oficial.
A Federação Paulista de Futebol também lamentou o caso e reforçou que atitudes discriminatórias e intolerantes não serão aceitas no esporte. A entidade informou ainda que acompanhará a apuração dos fatos e colaborará com as autoridades competentes.
Dentro de campo, o São Paulo garantiu a classificação para a final do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20 após eliminar a Ferroviária na semifinal.
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