Diário de São Paulo
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Nova regra olímpica

COI estabelece critério genético para participação em competições femininas

Nova política define elegibilidade com base no gene SRY e busca padronizar regras nos Jogos Olímpicos

A nova diretriz não terá efeito retroativo e não se aplicará ao esporte amador, mantendo a raridade da participação de atletas trans - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
A nova diretriz não terá efeito retroativo e não se aplicará ao esporte amador, mantendo a raridade da participação de atletas trans - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Letícia Sales Publicado em 26/03/2026, às 12h27


O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta quinta-feira (26) uma mudança significativa nas regras de elegibilidade para competições femininas nos Jogos Olímpicos. A partir de agora, apenas atletas consideradas biologicamente do sexo feminino poderão disputar essas provas, com base em um teste genético específico.

Segundo a entidade, será exigida a realização de um exame para detectar a presença do gene SRY, utilizado como critério determinante. Em comunicado oficial, o COI afirmou: “Com base em evidências científicas, o COI considera que a presença do gene SRY é fixa ao longo da vida e representa uma evidência altamente precisa de que uma atleta passou por desenvolvimento sexual masculino”.

A medida marca uma mudança de posicionamento da entidade, que até então adotava uma abordagem mais flexível. Em 2021, o COI havia orientado que cada federação internacional definisse suas próprias regras, o que resultou em diferentes critérios e debates ao longo dos últimos anos.

A nova política foi impulsionada pela gestão da presidente Kirsty Coventry, que assumiu o cargo em 2025 e defendeu a necessidade de uma diretriz unificada. “Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem representar a diferença entre vitória e derrota. Portanto, é absolutamente claro que não seria justo que indivíduos biologicamente do sexo masculino competissem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, isso simplesmente não seria seguro”, declarou.

O COI informou que a regra não terá efeito retroativo e não se aplicará ao esporte amador ou de base. A participação de atletas transgênero nos Jogos Olímpicos continuará sendo rara, como no caso da levantadora de peso Laurel Hubbard, que competiu em Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

O debate sobre a presença de atletas trans no esporte feminino também ganhou força em diferentes países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Donald Trump assinou, em 2025, uma ordem executiva que restringe a participação de atletas transgênero em competições femininas.

Com a nova diretriz, o COI busca uniformizar critérios e reduzir controvérsias em torno do tema, que vem sendo amplamente discutido no cenário esportivo internacional.


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