Pesquisa da Quaest indica que só 12% estão muito animados e confiança no hexa atinge o menor nível da série

Erika Osti Publicado em 22/04/2026, às 15h36
A poucos meses da Copa do Mundo de 2026, o clima entre os brasileiros está longe da euforia tradicional. Pesquisa da Genial/Quaest, realizada entre os dias 10 e 13 de abril com 2.004 pessoas em todo o país, revela um cenário de desinteresse generalizado, descrença no título e opiniões divididas sobre nomes importantes da seleção. Segundo o levantamento, 54% afirmam não estar animados com o torneio, enquanto apenas 12% dizem estar muito empolgados. Ao mesmo tempo, só 25% acreditam que o Brasil será campeão, o menor nível de confiança registrado na série recente.
O estudo mostra que o desânimo atravessa todos os perfis da população. Entre os que se declaram pouco animados, são 32%, reforçando que a maior parte do país acompanha o ciclo da Copa com baixa expectativa. Nem mesmo recortes por idade, renda ou região alteram significativamente o cenário. Ainda que jovens entre 16 e 34 anos apresentem maior entusiasmo, com 17% muito animados, a maioria também demonstra apatia. Entre pessoas de 35 a 59 anos, o índice cai para 8%, e entre os mais velhos, chega a 13%.
Regionalmente, o Nordeste concentra o maior nível de empolgação, com 16% muito animados, seguido pelo Sudeste, com 11%. Sul e Centro-Oeste/Norte registram índices ainda menores. Mesmo assim, em todas as regiões, mais da metade da população declara não estar animada com a competição.
A pesquisa também escancara uma crise de confiança na seleção brasileira. Hoje, 68% dos entrevistados não acreditam no título mundial. O dado representa uma queda acentuada em relação a anos anteriores. Em abril de 2023, metade da população ainda confiava no hexacampeonato. Esse número caiu para 45% em 2024 e despencou para os atuais 25%, o que indica deterioração contínua no otimismo do torcedor.
O ceticismo é mais forte no Sudeste, onde 73% descartam a conquista, seguido pelo Sul, com 70%. No Nordeste, embora a descrença também seja maioria, aparece em nível ligeiramente menor.
No comando técnico, Carlo Ancelotti enfrenta uma avaliação mais equilibrada. O treinador é aprovado por 41% dos entrevistados e desaprovado por 29%, enquanto 30% não souberam ou preferiram não opinar. Entre os mais jovens, a aprovação chega a 46%, mas recua para 38% entre pessoas com 60 anos ou mais, mostrando que o técnico ainda não consolidou unanimidade.
Outro ponto que evidencia o momento de divisão é a figura de Neymar. A pesquisa mostra o país praticamente dividido sobre a convocação do jogador: 47% defendem sua presença na seleção, enquanto 45% são contrários. O apoio é maior no Sudeste e no Nordeste, enquanto no Sul predomina a rejeição. Além do recorte regional, o levantamento aponta diferenças de opinião conforme posicionamento político, indicando que a discussão sobre o jogador extrapola o campo esportivo e se conecta a outras visões da sociedade.
Com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, a pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais em 120 municípios. Os dados refletem um momento atípico para um país historicamente identificado com o futebol, marcado por distanciamento emocional, dúvidas sobre o desempenho da equipe e expectativa reduzida para o principal torneio do esporte.

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