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"Você é mulher?": comentaristas trocam farpas ao vivo na GloboNews; confira

Comentadores debatem papel do gênero e da raça na política americana em conversa acalorada no programa 'Em Pauta'

Comentaristas Sandra Coutinho e Demétrio Magnoli - Imagem: Reprodução
Comentaristas Sandra Coutinho e Demétrio Magnoli - Imagem: Reprodução

por Marina Milani

Publicado em 02/11/2024, às 18h52


Na noite de sexta-feira (1º), um debate sobre as eleições presidenciais dos Estados Unidos transformou-se em um momento de tensão ao vivo entre os comentaristas Sandra Coutinho e Demétrio Magnoli, no programa Em Pauta, da GloboNews. A troca de opiniões, que começou em tom moderado, rapidamente esquentou após os dois especialistas discordarem sobre a influência dos temas de gênero e raça no contexto político americano.

Tudo começou quando Sandra Coutinho mencionou que muitas pessoas nos Estados Unidos, especialmente em estados como Geórgia e Carolina do Norte, relutariam em votar em Kamala Harris como presidente pelo simples fato de ela ser mulher. "O caminho para as mulheres é mais difícil", afirmou Sandra. Ela compartilhou a experiência de ter ouvido eleitores afirmarem abertamente que não se sentiam confortáveis com uma mulher na presidência. “Desculpa, mas nesse assunto, eu sei que a pauta identitária cansa muita gente, mas quem tem lugar de fala sou eu”, disse, reforçando a necessidade de discutir o preconceito de gênero na política.

Demétrio Magnoli, por sua vez, não concordou com a análise de Sandra. Para ele, o fator racial tem um peso maior no cenário eleitoral dos EUA do que a questão de gênero, especialmente entre eleitores afro-americanos. Ele defendeu que "a maioria dos homens negros continua votando nos democratas, na Kamala Harris, não no Trump", sugerindo que o apoio a Harris transcenderia as barreiras de gênero para esse grupo.

A resposta não agradou Sandra, que o interrompeu, questionando: “Como mulher? Você é mulher?” Em seguida, Demétrio rebateu, afirmando que também tinha "lugar de fala" como analista político. A discussão ganhou um tom mais pessoal e levou os espectadores a se questionarem sobre o limite entre análises objetivas e experiências individuais no jornalismo. Em meio à troca de argumentos, Demétrio trouxe o exemplo de Hillary Clinton, destacando que, em 2016, ela teve 3 milhões de votos a mais que Donald Trump, o que, segundo ele, indica que o gênero não é uma barreira intransponível na política americana.

Em um ponto do debate, Sandra criticou o que considerou um comportamento debochado de Magnoli, afirmando que esperava mais respeito por parte do colega.

Eu acho inclusive que é feio você rir debochadamente. Eu não faço isso com você, Demétrio. Eu tenho respeito pela sua opinião”, disse, em tom sério.

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