Pastor Nicoletti mistura religião, política e coaching e gera onda de repúdio

Manoela Cardozo Publicado em 01/07/2025, às 08h00
O pastor Nicoletti, líder da Igreja Recomeçar e apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou forte indignação nas redes sociais após a divulgação de um vídeo com declarações controversas feitas durante uma de suas pregações. Em tom agressivo, ele afirmou publicamente que “odeia pobres” e classificou a prática de dar esmolas como um “patrocínio à escravidão”.
As falas ocorreram durante um culto transmitido pelas próprias plataformas digitais da igreja. “Eu odeio pobre. Jesus nunca foi pobre. Isso é mentira. O pobre vive como vítima, sempre culpando quem tem mais por sua condição”.
O discurso do pastor seguiu uma linha que mistura interpretações religiosas questionáveis com retórica típica de palestras motivacionais, adotando linguagem comum ao universo do coaching. Ele argumentou que ajudar financeiramente pessoas em situação de vulnerabilidade apenas reforça a mentalidade de escassez. “Jesus nunca deu uma esmola. Jesus mudou a mentalidade das pessoas. Dar esmola patrocina a escravidão. Em vez de dar esmola, traz a pessoa três dias aqui. Você vai ver, vai mudar a vida dela”.
Nicoletti também usou o púlpito para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de “ladrão” e fazendo alusão pejorativa à sua deficiência física. “Todo ladrão tem o discurso de ajudar o pobre. Só que não é só o ‘nove dedos’, não. Tem um monte de cristão ladrão dentro da igreja, que rouba do altar e critica a corrupção lá fora, mas é corrupto aqui dentro da igreja”.
As declarações repercutiram rapidamente. Diversos teólogos, influenciadores digitais e membros da comunidade evangélica se manifestaram nas redes sociais, acusando o pastor de propagar preconceito, elitismo e discurso de ódio, totalmente em desacordo com os valores cristãos de compaixão e acolhimento. A frase “odeio pobre” dominou os debates online e foi amplamente repudiada.
Críticos destacaram a contradição entre a fala de Nicoletti e a prática de Jesus Cristo, que, segundo os evangelhos, convivia com pessoas marginalizadas, acolhia os necessitados e pregava o amor ao próximo. Para muitos, o discurso do pastor representa uma instrumentalização da fé para promover uma ideologia política elitista e excludente.
Até a última segunda-feira (30), Nicoletti ainda não havia se manifestado sobre a repercussão negativa do vídeo.
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