Decisão da Justiça norte-americana envolve duas das cinco acusações apresentadas contra o artista

Gabriela Nogueira Publicado em 03/10/2025, às 18h20
O rapper Sean "Diddy" Combs foi condenado a 50 meses de prisão, equivalente a quatro anos, um mês e 28 dias, conforme decisão do juiz Arun Subramanian, proferida nesta sexta-feira (3). O músico já cumpriu parte dessa pena desde sua detenção em setembro de 2024 e enfrentou uma série de acusações relacionadas a crimes sexuais.
Em julho passado, Diddy foi considerado culpado em duas das cinco acusações que pesavam contra ele, sendo condenado por transporte para fins de prostituição. No entanto, ele foi absolvido das acusações mais severas, que incluíam tráfico sexual e conspiração para extorsão.
A sentença imposta ao rapper inclui uma multa de US$ 500.000, e as penas possíveis para os crimes pelos quais ele foi condenado poderiam chegar a 20 anos. A promotoria havia sugerido uma pena de 135 meses, enquanto a defesa argumentava que Diddy deveria ser sentenciado a no máximo 14 meses. O juiz Subramanian indicou uma faixa de sentença entre 70 a 87 meses.
A audiência ocorreu em Nova York e atraiu uma considerável atenção pública, com muitas pessoas aguardando o resultado da sentença do lado de fora do tribunal. Durante sua declaração, o juiz destacou que o período de encarceramento seria difícil para Diddy devido à separação de sua família, elogiando as cartas que ele recebeu de apoiadores ao longo do processo.
"Essas cartas mostram que você tem um universo de pessoas que te amam. Deixe que elas te elevem agora, assim como você as elevou por tantos anos", afirmou o juiz. Ele também expressou gratidão às vítimas que testemunharam contra Diddy, reconhecendo sua coragem em expor suas experiências.
O advogado Doug Wigdor, representante de Cassie Ventura, ex-namorada do rapper, declarou que a sentença reconhece o impacto das ofensas cometidas por Combs. "Embora nada possa desfazer o trauma causado por ele, estamos confiantes de que a Sra. Ventura continuará se recuperando com o apoio de sua família e amigos", disse Wigdor.
Diddy já havia solicitado liberação sob fiança diversas vezes desde sua prisão, mas todos os pedidos foram negados pela Justiça americana. O juiz Subramanian enfatizou que era necessário aplicar uma "sentença substancial" para deixar claro que abusos contra mulheres são crimes graves e devem ser punidos adequadamente.
No tribunal, Diddy expressou arrependimento e comentou sobre seu desejo de mudar. "As pessoas podem mudar; eu sei que mudei", disse ele. "Não posso mudar o passado, mas posso mudar o futuro". Sua defesa argumentou que o rapper teve uma vida marcada por traumas significativos e pediu consideração a esses fatores durante a sentença.
A audiência também contou com depoimentos emocionais dos filhos de Diddy, que o defenderam e falaram sobre seu amor incondicional por ele. Quincy Brown, seu filho mais velho, descreveu Diddy como um "homem transformado" e destacou seu impacto positivo na vida deles.
Além disso, o julgamento trouxe à tona alegações sérias contra Diddy, incluindo acusações de coerção e abuso psicológico ao longo de suas relações amorosas. A promotoria descreveu um padrão de manipulação e controle exercido pelo rapper sobre suas parceiras, afirmando que essas ações causaram danos reais às vítimas.
Enquanto isso, a defesa tentou retratar Diddy como vítima de um processo exagerado e argumentou que as testemunhas apresentadas não conseguiram comprovar suas alegações. Apesar das tentativas da defesa para minimizar as acusações, a gravidade dos crimes pelos quais ele foi condenado resultou em uma sentença significativa.
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