Ataques digitais contra empresas, vazamentos de informações estratégicas, manipulação de dados, Inteligência Artificial utilizada em operações ofensivas e conflitos virtuais capazes de impactar governos e economias inteiras. Esses fatores explicam por que especialistas de diferentes países estão debatendo cada vez mais sobre ciberguerras.
O tema esteve no centro das discussões do 7º Congresso Nacional de Profissionais de Privacidade de Dados (CNPPD 2026), realizado na UNIP Campus Norte, em São Paulo nos dias 08 e 09 de maio. Reunindo profissionais da área de tecnologia, privacidade, segurança digital, Inteligência Artificial e governança, o evento mostrou que os conflitos modernos não acontecem apenas em territórios físicos, mas também em ambientes digitais, onde dados, sistemas e informações estratégicas passaram a representar ativos extremamente valiosos.
Ao longo do congresso, os entrevistados reforçaram que o avanço acelerado da Inteligência Artificial ampliou significativamente a capacidade de ataques cibernéticos, tornando as ameaças mais sofisticadas, rápidas e difíceis de serem detectadas. Além disso, os especialistas alertaram que empresas e instituições públicas precisam se preparar não apenas para proteger sistemas, mas também para lidar com impactos financeiros, reputacionais e operacionais causados por ataques digitais.
Confira os principais temas debatidos durante o CNPPD 2026:
- LGPD em Tempos de Guerras Cibernéticas: João Gonçalves, CEO da Protegon, destacou que a proteção de dados passou a ocupar posição estratégica dentro das organizações. Segundo o especialista, em um cenário de conflitos digitais, empresas que investem em governança, privacidade e segurança conseguem reduzir vulnerabilidades e responder de forma mais eficiente a incidentes cibernéticos.
- Os 35 Níveis de Ciberataques na Evolução da Inteligência Artificial: O Prof. Davis Alves, Ph.D, Presidente da APDADOS - Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados, apresentou uma análise sobre a evolução dos ataques impulsionados por Inteligência Artificial. A palestra mostrou como a automação está elevando o potencial ofensivo das ameaças digitais, exigindo preparo técnico cada vez maior das equipes de segurança.
- Panorama Internacional da Proteção de Dados: O Eng. António Pessoa Weya, Diretor de Tecnologia da APD - Agência de Protecção de Dados trouxe ao congresso uma visão sobre a legislação de proteção de dados em Angola, enquanto Eugenio Diaz, Representante do CECyD – Centro de Estudios en Ciberseguridad y Datos e Gustavo Segré, Jornalista, debateram os efeitos da desinformação e das fake news na Argentina. Os palestrantes internacionais reforçaram que as guerras digitais ultrapassam fronteiras e afetam diretamente sociedades, governos e instituições ao redor do mundo.
- Segurança Reputacional e o Papel do Direito e da TI: Dr. Paulo Perrotti e Prof. Me. Edison Fontes discutiram como ataques digitais podem comprometer reputações corporativas e gerar crises institucionais. Os especialistas defenderam maior integração entre tecnologia, direito e gestão estratégica para fortalecimento da segurança organizacional.
- Inteligência Artificial ou Humanos: Quem é Superior?: O Prof. Me. Marcos Alexandruk promoveu reflexões sobre os limites entre Inteligência Artificial e capacidade humana. O debate destacou que, apesar do avanço tecnológico, decisões estratégicas e análises críticas continuam dependendo da atuação humana.
- As Novas Profissões em TI Advindas da Inteligência Artificial: O Prof. Me. Evandro Teruel apresentou uma análise sobre as novas demandas do mercado tecnológico. Segundo ele, o crescimento das ameaças digitais e da IA vem criando oportunidades profissionais ligadas à cibersegurança, governança de IA, automação e ética digital.
- Aula Prática: Automatizando os Ataques Hackers por Inteligência Artificial via Kali Linux: Kramer Saunders realizou demonstrações práticas sobre automação de ataques cibernéticos utilizando Inteligência Artificial em ambientes controlados. A atividade evidenciou como ferramentas tecnológicas podem ser utilizadas em operações ofensivas digitais.
- Agile Scrum em Tempos de Guerras Cibernéticas: Robério Brum destacou a importância da adaptação rápida e da gestão ágil em cenários de crise digital. Segundo o palestrante, velocidade de resposta e reorganização operacional são fundamentais diante de ataques cibernéticos em larga escala.
- O que Avaliar nas Ferramentas com IA antes da Aquisição?: Elisangela Monaco, da Universidade Paulista, apresentou reflexões sobre riscos relacionados à contratação de ferramentas baseadas em Inteligência Artificial, especialmente em relação à privacidade, conformidade regulatória e exposição de dados sensíveis.
- A Infiltração do Crime Organizado nas Grandes Cidades Mundiais: Susanna do Val, Presidente do Sindicato dos Policiais Federais de São Paulo SINPF/SP, explicou como organizações criminosas vêm utilizando recursos tecnológicos para ampliar operações digitais, disseminar desinformação e executar crimes cibernéticos.
- Gestão Ética e Exposição de Segredos Corporativos: A Profa. Dra. Teresinha Covas e o Prof. Me. Robson Vieira da Associação Brasileira de Administração (ADM Brasileira) abordaram os desafios relacionados à proteção de informações estratégicas e segredos corporativos em um cenário marcado pelo aumento dos riscos digitais.
- A Importância da Produção de Conhecimentos para DPOs: A Dra. Ana Canto de Lima destacou a necessidade de fortalecimento técnico e científico dos profissionais de proteção de dados, enfatizando que conhecimento e atualização constante se tornaram indispensáveis diante da evolução das ameaças digitais.
- Internacionalização de Carreira e os Limites do ChatGPT: Carlos Schröer e Claudiane Roesel discutiram oportunidades profissionais internacionais em tempos de transformação tecnológica, enquanto Silvia Brunelli trouxe reflexões sobre os riscos da dependência excessiva de ferramentas de IA generativa sem supervisão humana.
- BlackHat: A Escalada da IA para Ataques Globais: Joas Santos, da RedTeamLeaders, apresentou análises sobre o crescimento do uso da Inteligência Artificial em ataques cibernéticos de grande escala, alertando para a necessidade de monitoramento contínuo e inteligência de ameaças.
- Desafios no Aprendizado sobre Gestão de Crises: A Dra. Cristina Sleiman abordou os desafios enfrentados pelas organizações diante de vazamentos de dados, crises reputacionais e ataques digitais, ressaltando a importância da capacitação contínua e dos planos de resposta a incidentes.
- Panorama Internacional de Proteção de Dados e Cibersegurança no Chile: Marcelo Drago, Presidente da AGPD Chile - Asociación de Profesionales en Protección de Datos Personales, participou de um painel moderado pelo Prof. Davis Alves, apresentando os desafios regulatórios enfrentados pelo Chile no avanço da proteção de dados e segurança digital. O debate reforçou a importância da cooperação internacional diante das ameaças cibernéticas globais.
- Aula Prática: Técnicas de Invasão via Hardware: O Tenente Marcelo Marcon e Cesar Bettin demonstraram vulnerabilidades exploradas por meio de dispositivos físicos, reforçando que a segurança digital também depende da proteção estrutural e física das organizações.
- Painel dos Representantes: Por que falar sobre Guerras Cibernéticas?: O painel moderado por Paulo Emerson e composto por Joana Madsen, Antônio Andrade, Érico Silva, Anderson Palácio e Monica Cassa promoveu reflexões sobre os impactos das guerras cibernéticas no ambiente corporativo, governamental e social. Os participantes destacaram que os conflitos digitais já fazem parte da realidade mundial e exigem preparo estratégico das organizações.
O CNPPD 2026 demonstrou que o debate sobre ciberguerras vai muito além do universo técnico. Em um cenário global marcado pela transformação digital acelerada, especialistas nacionais e internacionais alertam que ataques virtuais podem comprometer economias, reputações, operações empresariais e até a estabilidade de países.
Este relevante congresso é realizado pela APDADOS - Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados, que com sua atuação já é a maior da América Latina e do Brasil no segmento e a segunda maior associação da temática no mundo, possui mais de 15 mil membros e já impacta mais de 80 mil pessoas por meio de suas redes sociais. A atuação da entidade vem fortalecendo o debate técnico e estratégico sobre LGPD, governança digital, segurança da informação e os desafios relacionados às ciberguerras, conectando especialistas nacionais e internacionais em discussões cada vez mais relevantes para o futuro da segurança global.
Por isso, discutir Inteligência Artificial, privacidade, proteção de dados e segurança cibernética deixou de ser apenas tendência tecnológica para se tornar uma necessidade estratégica em escala global.