Ação conta com 93 ações intersetoriais e prêmio literário para cultura dos terreiros

Gabriela Thier Publicado em 16/01/2025, às 17h07
Na última quarta-feira (15), o Ministério da Igualdade Racial (MIR) apresentou aos líderes religiosos do Rio de Janeiroa nova Política Nacional voltada para os Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana. O evento, realizado no terreiro de Candomblé Ilê Axé Omiojuarô, localizado em Nova Iguaçu, destacou a relevância do Decreto 12.278/24, que visa implementar medidas intersetoriais para garantir os direitos dessas comunidades, promovendo o reconhecimento e a valorização da cultura afrodescendente.
Organizado pela ONG Criola em colaboração com o MIR e os terreiros Ilê Axé Omiojuarô e Ilê Axé Omi Ogun siwajú, o encontro enfatizou a importância da superação do racismo e da violência religiosa. A ministra Anielle Francoexpressou que essa política representa um avanço significativo na luta contra essas violências. "Este plano é um primeiro passo essencial. Não podemos aceitar como normais as agressões sofridas pela população negra. Precisamos assegurar que essa iniciativa não se perca ao longo do caminho", afirmou.
A proposta abrange um total de 93 ações, distribuídas entre 11 ministérios, sendo uma das principais a capacitação dos agentes de segurança pública para atuar em casos relacionados ao racismo religioso. Contudo, Lúcia Xavier, coordenadora-geral da Criola, alertou sobre a necessidade de alocação de recursos financeiros para garantir a efetividade das políticas públicas.
Além disso, durante o evento foi anunciado o edital do Prêmio Erê Dendê: a Sabedoria dos Terreiros, que tem como objetivo premiar obras de literatura infanto-juvenil que valorizem a cultura dos terreiros. A premiação contemplará nove autores selecionados por um júri oficial, cada um recebendo R$20 mil, além de um autor escolhido pelo júri popular, que também será premiado com a mesma quantia.
Essa iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial e a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), destacando ainda mais o compromisso com a promoção e valorização das tradições culturais africanas no Brasil.
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