Integração de políticas e liderança para uma saúde equitativa e sustentável

por Mara Machado
Publicado em 06/08/2024, às 09h59
A maior parte da carga global de doenças e as principais causas de iniquidade em saúde surgem das condições em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem. Por isso, diversos determinantes sociais, já identificados como influentes para a saúde, estão ganhando cada vez mais foco de toda a sociedade.
Nesse sentido, a saúde precisa ser incluída em estruturas políticas mais abrangentes. Esse movimento requer mais participação das lideranças do setor, que devem se aperfeiçoar para discutir questões além das necessidades imediatas dos respectivos segmentos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem trabalhado para fortalecer políticas e ações intersetoriais para aumentar a equidade em saúde, abordando os determinantes sociais como um componente central das políticas para garantir que ninguém seja deixado para trás.
A universalização do acesso à saúde é uma aspiração mundial, sendo um dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) a ser alcançado até 2030, conforme declaração da Organização das Nações Unidas (ONU).
Entretanto, o triste paradigma dominante, que coloca em campos opostos economia e saúde, mercado e sociedade, estado e iniciativa privada, tem dificultado o atingimento deste objetivo. No sistema de saúde brasileiro, essas dualidades convivem sem uma estrutura de regulação adequada, gerando duplicações, superposições, inequidades e vazios de cobertura.
O papel dos governos é harmonizá-las para a criação de uma estrutura integrada. Mas essa tarefa não é trivial, pois implica em integrar os campos econômicos, sociais e ambientais para chegar à universalização da saúde.
Aos líderes, cabe reconhecer questões como mudanças climáticas, perda de biodiversidade, pobreza e aumento de epidemias tropicais como fatores limitantes do desenvolvimento. No entanto, esses problemas são vistos geralmente de forma isolada, como adversidades ambientais ou sociais, sem uma compreensão real das causas, nem foco na sustentabilidade das soluções.
Isso gera uma conscientização insuficiente das causas raízes e resulta na subestimação da magnitude de seus desafios, incluindo a manutenção de práticas insustentáveis, que aumentam o declínio sistemático do potencial dos sistemas ambientais e sociais.
Os líderes corporativos de hoje precisam de mais do que apenas perspicácia empresarial para serem bem-sucedidos. Eles devem pensar de forma crítica e sistêmica, demonstrar autoconsciência, pesar dilemas éticos e reunir diversas perspectivas e tipos de expertise. As escolas de negócio precisam moldar essas habilidades, misturando conhecimento empresarial tradicional a um forte senso de responsabilidade social e práticas sustentáveis. Concentrar-se em novas abordagens para a educação empresarial pode acelerar o progresso.
Há uma compreensão crescente – especialmente por parte de líderes empresariais e investidores à frente da curva – de que não é suficiente para as empresas se preocuparem apenas com lucros de curto prazo, porque desastres naturais, agitação social ou disparidade econômica podem prejudicar a prosperidade do negócio em longo prazo. As empresas que entenderem esse desafio e agirem estarão um passo à frente.
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