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Rachel Sheherazade

Deus tá vendo e o TSE também

Imagem: Reprodução
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Rachel Sheherazade Publicado em 25/05/2026, às 20h14


O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a cassação dos mandatos da prefeita e de um vereador de Votorantin, São Paulo, devido ao uso indevido de influência religiosa para obter apoio político, destacando a ilegalidade e a imoralidade dessa prática.

A decisão do TSE reflete uma preocupação com a manipulação eleitoral que ocorre em diversos templos religiosos, onde líderes utilizam a fé para direcionar votos, criando um ambiente de constrangimento e pressão sobre os fiéis.

A situação evidencia um problema mais amplo no Brasil, onde o abuso da influência religiosa tem contribuído para a formação de uma bancada parlamentar significativa composta por deputados-pastores, levantando questões sobre a separação entre religião e política.

O Tribunal Superior Eleitoral manteve a cassação dos mandatos e a inelegibilidade da prefeita e de um vereador da cidade de Votorantin, no São Paulo.

O motivo: uso indevido de influência religiosa para obter apoio político.

Com essa decisão, o TSE reforça algo muito óbvio, que, além de ilegal, é imoral: o uso da fé como instrumento de manipulação eleitoral.

Mas, o que não falta neste país é líder religioso falastrão transformando templos em comitês de campanha, cultos em comícios, Jesus em cabo eleitoral.

E nao é de hoje!

Eu sou neta de uma avó católica e filha de pais evangélicos, e comecei a frequentar templos religiosos ainda criança.

No período eleitoral era praxe.

O pastor convidava um “engravatado” ao púlpito para, digamos, "orar" por ele. Geralmente, era alguém que jamais, fora do período eleitoral, sequer punha os pés no templo.

A oração do pastor logo descambava para uma propaganda eleitoral explícita e nauseante.

A congregação inteira era constrangida e influenciada a votar no tal “candidato cristão”que, após eleito, iria defender as bandeiras da fé, como se o Deus todo poderoso precisasse de políticos para fazer a Sua vontade na terra.

A manipulação dos pastores era tão óbvia que até uma criança como eu era, à época, conseguia perceber a hipocrisia no ar.

Mas, o uso da fé para fins eleitorais não acontece só em templos evangélicos.

Líderes católicos, travestidos de boas almas, vomitam discursos de ódio e intolerância contra partidos e políticos, manipulando os devotos com o chamado “terrorismo espiritual”.

Padres, freis, diáconos, presbíteros contaminam corações e mentes, plantando medo, discórdia, divisão.

Eles pervertem a fé e se desviam de suas funções espirituais: em vez da palavra de Deus, levam, à Igreja, a palavra do politico de estimação.

O uso, ou melhor, o abuso da influencia religiosa para fins eleitorais tem dado frutos abundantes.

Em nome de um deus que nunca se misturou com política, elegeu-se, no Brasil, a maior bancada temática do parlamento, repleta de deputados-pastores.

Esse acúmulo de funções é incompatível com o Evangelho, ou não foi o próprio Cristo quem alertou:

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro.”

Decidam-se, fariseus: vocês servem à política ou a Deus?


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