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Douglas Garcia

CCJ remarca sabatina de Jorge Messias e indicação ao Supremo volta ao centro da disputa política

Comissão de Constituição e Justiça do Senado confirmou para 29 de abril a análise do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado de Lula ao STF, deve ser sabatinado pela CCJ do Senado em 29 de abril - Imagem: Reprodução
Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado de Lula ao STF, deve ser sabatinado pela CCJ do Senado em 29 de abril - Imagem: Reprodução

Douglas Garcia Publicado em 22/04/2026, às 18h54


A sabatina de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo presidente Lula, está agendada para 29 de abril, reacendendo debates sobre sua nomeação e a força política do governo frente à oposição.

Messias, atual advogado-geral da União, possui um histórico de proximidade com governos petistas e é responsável por iniciativas controversas, como a criação da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, que enfrenta críticas por potencial judicialização de disputas políticas.

A tramitação da indicação é vista como um teste para o governo, com aliados acreditando na aprovação, enquanto a oposição promete questionar sua atuação e vínculos políticos, tornando a sabatina um importante palco de embates sobre liberdade de expressão e o papel do STF.

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal voltou ao centro do debate político em Brasília após a confirmação de que sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado acontecerá em 29 de abril, às 9h. A data foi confirmada pelo presidente da CCJ, senador Otto Alencar, e recoloca em pauta uma das nomeações mais sensíveis do atual governo para a composição da Corte.

Messias, que atualmente chefia a Advocacia-Geral da União, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma cadeira no STF. Para que a nomeação seja efetivada, ele ainda precisa passar pela sabatina na CCJ e, depois, ter o nome aprovado pelo plenário do Senado. A tramitação é uma exigência constitucional e costuma funcionar como uma etapa decisiva para medir a força política do governo e a resistência da oposição em torno do indicado.

A nova marcação ocorre depois de ajustes no calendário do Senado. Segundo a própria Agência Senado, a data inicialmente considerada era 28 de abril, mas a reunião da CCJ foi deslocada para o dia 29 para garantir quórum e organizar a votação no colegiado. O tema ganhou repercussão justamente porque a mudança foi interpretada politicamente por aliados e adversários do governo.

A sabatina de Jorge Messias é acompanhada de perto porque sua indicação reúne elementos jurídicos, institucionais e políticos. Atual advogado-geral da União, ele ocupa desde 2023 uma das posições mais estratégicas da Esplanada, responsável pela defesa judicial e consultoria jurídica do governo federal. No currículo oficial divulgado pela AGU, Messias é apresentado como procurador da Fazenda Nacional desde 2007, com passagem por cargos jurídicos na Presidência da República e em ministérios, além de formação acadêmica com mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília.

A escolha dele para o Supremo também se conecta à sua trajetória de proximidade com governos petistas e ao papel exercido pela AGU em temas politicamente sensíveis. Em janeiro de 2023, logo no início de sua gestão à frente da AGU, Messias anunciou a criação da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, órgão voltado ao enfrentamento da desinformação e à proteção de políticas públicas e instituições democráticas, segundo a formulação oficial do governo. A iniciativa foi apresentada como instrumento de “democracia defensiva”, mas desde então é alvo de críticas de setores da oposição, que veem no órgão margem para judicialização de disputas políticas e questionamentos sobre liberdade de expressão.

É justamente nessa intersecção entre perfil técnico e atuação política que a indicação de Messias gera mais embates. De um lado, aliados do governo e parte dos senadores favoráveis à nomeação destacam sua experiência jurídica, sua passagem por cargos de formulação normativa e sua atuação institucional na AGU. Do outro, parlamentares de oposição já anunciaram voto contrário e prometem concentrar a sabatina em temas como sua proximidade com Lula, sua atuação em episódios politicamente controversos e o papel exercido pela AGU em ações de grande repercussão nacional.

A disputa política em torno do nome de Messias não é nova. Desde a formalização da indicação ao Senado, no início de abril, a tramitação vem sendo tratada como um teste importante para o Palácio do Planalto. A própria cobertura da Agência Senado registra que, embora a oposição já tenha declarado resistência, governistas avaliam ter maioria para aprovar o nome na CCJ e no plenário. Ainda assim, o processo deve servir como vitrine para embates entre governo e oposição em torno de liberdade de expressão, papel institucional do STF, relação entre os Poderes e judicialização da política.

Além da repercussão doméstica, a indicação de Messias também foi acompanhada pela imprensa internacional. Reuters e Associated Press destacaram, quando Lula fez a escolha, que o atual advogado-geral da União é aliado político do presidente e que sua eventual aprovação representará mais uma indicação de Lula para a composição atual da Corte. As agências também ressaltaram que a confirmação depende do Senado e observaram que a escolha ocorre em um ambiente de forte polarização institucional no país.

Na prática, a sabatina de 29 de abril deve ir muito além da análise de currículo. Ela tende a se transformar em um palco de disputa narrativa sobre os limites da atuação do Estado, a relação entre governo e Judiciário e o papel que um futuro ministro do Supremo deve exercer em um ambiente político ainda marcado por conflitos institucionais. O desfecho será relevante não apenas para o futuro de Jorge Messias, mas também para medir a capacidade do governo Lula de conduzir uma indicação de alto impacto em meio à pressão crescente da oposição.


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