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COLUNA

A Mulher Inteira

Imagem: Reprodução | Freepik
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Ap. Queila C Martines

por Ap. Queila C Martines

Publicado em 08/04/2026, às 08h00


Esta é a estreia desta coluna. Aqui, toda semana, vou falar sobre o que ninguém fala: a saúde da alma feminina, as feridas que a fé ainda não alcançou, o caminho de restauração da mulher que vive no mundo real.

Sou Queila Cordeiro, pastora, teóloga, escritora e mentora de mulheres há mais de trinta anos. E começo pela Páscoa, porque a ferida que quero nomear é antiga.

O mundo inteiro celebrou a Páscoa no começo de abril. Igrejas cheias, mesas enfeitadas, aleluias por todo lado. A fé é real. A ressurreição é real.

Mas existe uma mulher, talvez seja você, carregando uma pedra. Não a do sepulcro, que foi removida. A outra. Aquela que você carrega no peito há anos, tão bem disfarçada que, às vezes, até você esquece… até a madrugada chegar e a dor aparecer.

Essa pedra tem muitos nomes: o casamento que ficou, mas o amor foi embora; o filho perdido em distâncias e silêncios; o que fizeram com você quando era pequena. Ou, simplesmente: “eu não sei mais quem eu sou”.

A fé não é anestesia. Ela foi dada para que você não precise sentir sozinha.

Existe uma confusão que destrói em silêncio: a ideia de que mulher de fé não chora, não adoece. Quando a dor persiste, ela conclui: o problema sou eu. Minha fé é fraca. Isso não é teologia, é crueldade disfarçada de espiritualidade.

Jesus estava no Getsêmani, com o suor misturado à angústia. Ele não fingiu que estava bem. Ele atravessou.

A mensagem da Páscoa não é que a dor nunca existiu. É que ela não tem a última palavra.

Entre a sexta e o domingo, há um sábado: silêncio, tumba fechada, sem saber o que viria. Muitas mulheres vivem nesse sábado da alma. Mas o sábado tem um fim.

Dê nome à sua pedra, no espaço entre você e Deus. A cura não começa com a solução, começa com a honestidade.

A pedra foi removida do sepulcro. A sua também pode ser. Mas, primeiro, ela precisa ser vista.

Você foi criada para ser inteira, não perfeita.


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