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Morre A.Q. Khan, pai da bomba atômica do Paquistão

Abdul Qadeer Khan, o pai da bomba atômica no Paquistão e herói nacional, morreu aos 85 anos depois de testar positivo para a Covid-19 e ter sido hospitalizado

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Redação Publicado em 10/10/2021, às 00h00 - Atualizado às 13h44


Cientista de 85 anos contraiu a Covid-19 em agosto e foi hospitalizado diversas vezes desde então. Ele é considerado herói nacional por ter tornado o país a primeira potência nuclear islâmica.

Abdul Qadeer Khan, o pai da bomba atômica no Paquistão e herói nacional, morreu aos 85 anos depois de testar positivo para a Covid-19 e ter sido hospitalizado várias vezes desde agosto.

O cientista nuclear paquistanês, admirado por ter tornado o país a primeira potência nuclear islâmica morreu após ser transferido para o um hospital de Islamabad devido a problemas pulmonares, segundo a televisão pública PTV.

Khan já havia sido hospitalizado em agosto após testar positivo para a Covid. Sua condição piorou na manhã deste domingo, segundo a rede.

Herói nacional

Ele se tornou um herói nacional em maio de 1998, quando a República Islâmica do Paquistão entrou oficialmente na lista das potências militares atômicas – mas ele também foi acusado de ter espalhado ilegalmente tecnologia para Irã, Coreia do Norte e Líbia.

Muitas personalidades do Paquistão expressaram seu pesar pela morte do cientista. O premiê Imran Khan lamentou a morte do cientista e disse que “sua contribuição foi crucial” para que o país se firmasse como uma potência regional.

“Estou profundamente triste”, escreveu em uma rede social. “Para o povo paquistanês, ele era um ícone nacional.”

O primeiro-ministro disse que será enterrado na grande mesquita Faisal de Islamabad, conforme havia solicitado.

O ministro do Interior, Sheikh Rashid Ahmad, explicou que o enterro será realizado “com todas as honras”, na presença do governo e de altos funcionários militares.

O funeral está programado para este domingo às 15h30. De acordo com a tradição islâmica, deve ser feito, se possível, dentro de 24 horas após a morte.

‘Salvei o país’

Era admirado porque, graças a ele, o Paquistão foi capaz de competir com a Índia no campo nuclear, dispondo de um meio de defesa “inexpugnável”.

Mas em fevereiro de 2004, Khan foi colocado em prisão domiciliar em Islamabad, após ser acusado de distribuição ilegal de tecnologia na década de 1990.

Em fevereiro de 2004, ele reconheceu na televisão que havia participado de atividades de proliferação, antes de recuar. Ele obteve o perdão do então presidente, o general Pervez Musharraf.

“Salvei o país pela primeira vez quando transformei o Paquistão em um Estado nuclear e o salvei novamente quando o reconheci e assumi total responsabilidade”, disse Khan à AFP em uma entrevista em 2008.

Em 2009, um tribunal ordenou o fim de sua prisão domiciliar, mas ele continuou submetido a medidas rígidas e tinha que informar as autoridades com antecedência sobre cada movimento seu.

Khan, nascido em 1º de abril de 1936 na cidade indiana de Bhopal, 11 anos antes da divisão sangrenta do Império Britânico que resultou no Paquistão e na Índia em 1947, também comandou o programa de desenvolvimento de mísseis do país.

Ele se formou em ciências pela Universidade de Karachi em 1960 e completou sua formação em Berlim, Holanda e Bélgica.

Sua principal contribuição para o programa nuclear do Paquistão foi o projeto de centrífugas, que enriqueciam o urânio a uma taxa de concentração adequada para armas.

Ele foi acusado de ter roubado essa tecnologia da Holanda, quando trabalhava no país para o consórcio Urenco. Após seu retorno ao Paquistão, o então primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto o nomeou chefe do programa nacional de enriquecimento de urânio.

Em 1978, sua equipe conseguiu enriquecê-lo e, em 1984, estavam preparados para detonar uma bomba atômica, revelou Khan mais tarde em uma entrevista.

Em um discurso em 1990, ele reconheceu que os elementos necessários foram adquiridos no exterior. “Não era possível fabricarmos tudo no país”, disse.

Depois dos primeiros testes atômicos em 1998, em resposta aos da Índia, garantiu que Islamabad “nunca quis fabricar armas atômicas, mas se viu forçada a fazê-lo” pela necessidade de dissuasão.

Nenhuma das controvérsias nas quais se envolveu prejudicou sua grande popularidade no Paquistão, onde faculdades, universidades e hospitais levam seu nome e seu retrato ilustra pôsteres, objetos e páginas da web.

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G1

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