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Moradores relatam lucro de mais de R$ 1 milhão com extração de ‘garimpo’ de chumbo de antiga fábrica de baterias

Dia a Dia

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Moradores relatam lucro de mais de R$ 1 milhão com extração de 'garimpo' de chumbo de antiga fábrica de baterias

Moradores invadiram a área da Saturnia, em Sorocaba (SP), retiraram material com enxadas e até retroescavadeiras. Cetesb multou responsáveis pela massa falida da empresa.

Os moradores que se arriscam no garimpo ilegal de chumbo no terreno de uma fábrica falida de baterias, em Sorocaba (SP), afirmam que a extração do material com máquinas retroescavadeiras no início da extração já rendeu cerca de R$ 1, 5 milhão.

A situação foi denunciada no domingo (20) pelo Fantástico. Ainda nesta segunda-feira (20) pessoas foram flagradas se arriscando com contato direto com a terra contaminada.

Segundo o relato de um homem que estava sendo filmado com uma câmera escondida, há cerca de quatro meses as pessoas usavam até quatro máquinas no local.

“Aqui tem poço, tem que achar. Se der sorte e catar no poço, já era. Tem um cara que comprou uma caminhonete a diesel, comprou uma moto de R$ 20 mil”, diz.

Em nota à TV TEM, a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) informou que multou os responsáveis pela massa falida da Saturnia em R$ 257 mil pela contaminação do terreno e falta de providências para eliminar o risco potencial a saúde.

A Secretaria de Meio Ambiente também foi notificada pelo órgão para acelerar o processo afim de eliminar a situação de risco.

Já o Ministério Público disse que vai pedir que a Prefeitura de Sorocaba interdite o terreno da antiga fábrica. Na área, no bairro Iporanga, há restos de baterias e lixo tóxico.

A Prefeitura de Sorocaba determinou no fim da tarde que a massa falida da empresa feche o local onde operava e que impeça o acesso de catadores. Ainda segundo a nota, outras medidas ainda serão estudadas junto com o Ministério Público.

A Justiça decretou, também no fim da tarde, que a Polícia Militar faça rondas na área para evitar a extração ilegal de materiais.

‘Garimpo’ de chumbo

Com câmeras escondidas, os repórteres da TV TEM e do G1 flagraram dezenas de pessoas escavando o terreno, na semana passada. Sem saber que estava sendo filmado, um homem, que teve a identidade preservada, explicou que ferro-velho compra o material puro por até R$ 4 o quilo.

A reportagem recolheu pedras que foram submetidas a análise laboratorial. Segundo o toxicologista da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Barbosa Júnior, cinco tipos de metais prejudiciais à saúde foram identificados.

O especialista explica que os metais pesados entram no organismo pelo nariz e pela boca na poeira levantada no garimpo. Com o tempo, podem surgir doenças cardiovasculares, hepáticas e do sistema nervoso.

Falência

O terreno onde ocorre o garimpo pertencia a uma das maiores fábricas de baterias industriais e de automóveis do país: a Saturnia. O chumbo é um dos principais componentes da fabricação. Quando uma bateria acaba, ela volta para a indústria para ser reciclada.

A Saturnia funcionou por 39 anos e fechou em 2011. Em 2016, a fábrica decretou falência. Desde então, tudo ficou abandonado. O advogado responsável pela empresa foi procurado pela reportagem, mas não atendeu às ligações.

Em dezembro de 2017, a Cetesb fez um laudo e identificou a contaminação por chumbo de todo o solo da fábrica, mas nada foi feito. A engenheira química Fabíola Ribeiro afirma que este tipo de descarte é totalmente irregular.

“Eles precisam ser encaminhados para o que a gente chama de uma disposição final adequada, a exemplo de um aterro de resíduos perigosos, e nunca diretamente no solo sem nenhum tipo de prevenção e controle da poluição”, explicou.

Foto mostra área que foi invadida por pessoas em busca de chumbo (Foto: Witter Veloso/TV TEM)

Foto mostra área que foi invadida por pessoas em busca de chumbo (Foto: Witter Veloso/TV TEM)

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