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Mateus Vital muda hábitos, diz que filha “preencheu vazio” e aconselha jovens do Corinthians

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Mateus Vital muda hábitos, diz que filha "preencheu vazio" e aconselha jovens do Corinthians

Aos 23 anos, meia se vê mais maduro e orienta atletas recém-promovidos: “Papéis se inverteram”

Desde que chegou ao Corinthians, em 2018, Mateus Vital foi tratado como uma joia a ser lapidada, carregando consigo o status de “prodígio”, alguém que precisava dos conselhos de treinadores e jogadores mais velhos. Agora, os papéis se inverteram, como diz o próprio meia, que tem desempenhado o papel de conselheiro e quer ser encarado como realidade e não mais uma promessa.

Mesmo com apenas 23 anos, Mateus Vital se vê como um atleta experiente no elenco corintiano, inundado por jovens da base neste começo de temporada.

– Há pouco tempo, eram os veteranos que me chamavam para conversar. Hoje, os papéis se inverteram, eu que chamo os meninos para falar, dar uns toques, passar minha experiência que adquiri nesse tempo do Corinthians – comentou Mateus Vital.

O meia está preocupado em melhorar o nível não só dos demais, mas também dele próprio. Em entrevista ao ge, Vital contou que teve um “estalo” no ano passado e decidiu rever hábitos para dar um salto na carreira.

Com ajuda da nutricionista do Corinthians, Christiane Neves, cortou as “besteiras” da alimentação e adotou uma dieta rigorosa. Além disso, passou a contar com o apoio de um “personal trainer” e disse ter se focado mais no trabalho.

A vida fora de campo também ajudou. Pai pela primeira vez, o jogador afirma que a filha Antonela, hoje com um ano e meio, “preencheu um vazio” que era sentido desde a morte da mãe, quando ele tinha nove anos.

Tudo isso, aliado ao trabalho em campo e o auxilio do técnico Vagner Mancini, fizeram Mateus Vital crescer de rendimento e ganhar espaço entre os titulares do Timão. Em 12 jogos neste ano, ele já marcou três gols, o último no clássico contra o Palmeiras, na quarta-feira.

Nesta entrevista, o jogador fala sobre o momento vivido, faz projeções para a temporada e conta como foi participar da série “Acesso Total”, do SporTV. Confira:

Você tem feito mais gols e finalizado mais, algo que vinha sendo cobrado há tempos para fazer. Como avalia essa fase vivida?
– Estou muito feliz com esse momento, estava trabalhando havia muito tempo para que eu pudesse viver isso. Então, como eu sempre falo, trabalhando forte as coisas sempre acontecem. Comigo não está sendo diferente. Terminei 2020 fazendo gol importante contra o Botafogo e comecei 2021 com o pé direito. Estou numa sequência boa, muito feliz pelo jogo contra o Palmeiras. Infelizmente, não foi o resultado que esperávamos, mas feliz pelo gol e assistências. Quero manter esse nível para que coisas boas possam acontecer comigo no Corinthians. Estou trabalhando para dar alegrias à torcida.

Você sempre foi tratado como um garoto, um prodígio, mas agora tem vários companheiros mais jovens no Corinthians. Sente essa mudança de status? Se vê como alguém também com responsabilidade de ajudar os garotos?
– Com certeza. Por já ter um tempo de casa, estou indo para a minha quarta temporada. Chega a ser engraçado eu chamando os mais jovens para conversar, como o Rodrigo (Varanda), falo muito, tento dar uns feedbacks… Ele tem muito potencial, procuro dar uns toques. O Corinthians tem uma safra boa, jogadores muitos qualificados.

O que você ouvia dos mais velhos e hoje tenta passar para essa molecada?
– Muito foco. Escutamos essa palavra no futebol e ela é real, o principal de tudo. Se você se mantiver focado, consegue atingir os objetivos. Eu digo: mantém o foco, trabalha, que as coisas vão acontecer. Quando tiver a chance, aproveita. Eu escutava muito isso e tento passar para os meninos. Para que eles possam encontrar o “timing” de estar no profissional, usufruir do momento. Esse é um clube histórico, camisa histórica, não é para qualquer um. Quero que eles sintam isso na pele. Não é para qualquer um vestir essa camisa.

Você falou de foco. Sua melhora se deve a isso, estar mais focado?
– Com certeza. Isso transcende o campo. Parei para pensar o que eu precisava fazer para evoluir, não só em campo, mas fora dele. Comecei a fazer trabalhos com fisioterapia, usar mais a parte do academia, não só do Corinthians, também tenho alguém que me ajuda. Nutricionista também comecei a usar. Tudo se engloba e me ajuda, isso reflete no campo. Me ajudou muito.

Pegou firme na dieta, então?
– A alimentação eu mudei drasticamente. Não só eu, mas minha esposa está sofrendo também (risos). Tem que sentir o que eu sinto. Até para ela me ajudar. Pessoal me ajudando bastante.

O que é mais difícil abrir mão na dieta? Aquele hambúrguer na sexta-feira à noite, comida japonesa…?
– Isso aí. Antigamente, minha alimentação era bem ruim. Hoje eu mudei ela drasticamente porque sei que isso iria ajudar eu estar 100%, estar bem, ter mais força, ter mais fôlego, físico para suportar os 90 minutos. Botei na minha cabeça que isso seria importante. Não é fácil, é difícil. As besteiras são coisas gostosas, mas que fazem mal. Mas agora estou focado e tenho que seguir.

Mateus Vital, meia do Corinthians, em entrevista ao ge — Foto: Reprodução

Mateus Vital, meia do Corinthians, em entrevista ao ge — Foto: Reprodução

 

Tem algum alimento que você gosta muito e não consegue abrir mão?
– A Chris, nutricionista, tem até um prato que quando ela coloca no cardápio do CT diz que pensa: em mim: macarrão com molho parisiense, que é aquele molho branco, com presunto e tudo mais. É o que eu mais amava. E ela percebeu minha mudança drástica no comportamento. Mudei da água para o vinho, ela até achou que seria aos poucos, mas eu falei: não vou comer esse macarrão porque eu sei que é o que me tira do foco, ele que vai sair primeiro. Foi por aí que eu comecei.

A gente costuma ouvir esse discurso, de mudança de hábitos, de jogadores mais velhos ou que habitualmente estão acima do peso, mas este não é o seu caso. Por que decidiu “entrar na linha”?
– Primeiro de tudo, quando as coisas não acontecem da forma que você quer dentro de campo, é preciso mudar. Me deu aquele estalo. Como atleta, a gente precisa pensar sempre em melhorar. Temos que estar bem nos 90 minutos. O que eu posso fazer para meu corpo estar melhor dentro do campo? Eu pensei, conversei com a família, e a alimentação era algo que eu podia mudar. Alimentação é importante, descanso, também. Ajudam bastante o atleta a manter um nível alto.

E na parte de treinamento? Você falou que tem uma pessoa que te ajuda. É um personal?
– Os trabalhos no Corinthians são bem legais, te deixam bem para a temporada. Mas, quando tem folga, tem um cara que me acompanha, para não ficar parado. Folga não existe. Nos dias vagos, eu faço um trabalho na academia. No Corinthians faço uns trabalhos antes e pós treino que me ajudam também.

Dá para perceber que você gosta muito de jogar futebol, se diverte nos treinos. Mas e de academia? Você curte “puxar ferro”?
– Isso não é comigo, nunca gostei de malhar. Mas gostava de fazer exercícios de “core”, abdominal, alongamento, todas essas coisas que podem ajudar. Mas tem que puxar ferro, sim, é um trabalho que vai te ajudar. Todas essas coisas, juntando, fazem com que eu fique bem melhor dentro do campo e me sinta bem.

Tem dado resultado?
– Faço sempre um acompanhamento, cada vez mais os meus números vem melhorando. Não preciso perder peso, meu peso está sempre bem. Preciso ganhar massa magra, ficar um pouco mais forte, perder gordura é sempre bom. Meus números têm melhorado.

E o papel do Mancini nessa sua evolução?
– O Mancini, desde que chegou, não só para mim, tem procurado passar confiança ao atleta. Isso é importante para entrar no campo e se sentir à vontade. Ele dizia: “Preciso que melhore a finalização, no terço final do campo chute mais. Você é um cara que tem técnica, é habilidoso, chuta bem, preciso que você faça mais isso. Chegue mais no gol, finalize mais, entre mais na área.” Não só ele, o Flávio (de Oliveira, preparador físico) também me cobrava muito por gols. Sempre que eu faço o gol, ele fala comigo, me parabeniza. A chegada dos dois foi muito importante para mim.

Ele te dá mais confiança?
– Com certeza. O pessoal em si sempre me cobrava porque nos treinos de finalização eu ia bem, com aquela chapada, puxava para o meio e batia. “Por que no jogo tu não chuta chapando?” O Mancini começou a passar “feedbacks”, intensificamos os treinamentos, pedindo para eu abrir mais a jogava individual e finalizar mais em gol.

A vida pessoal também influencia o desempenho dos jogadores, e você foi pai há pouco mais de um ano. Isso te ajudou a amadurecer e, de alguma forma, ajudou no seu jogo?
– Foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. De certa forma, ela foi algo que Deus enviou para preencher um vazio que eu tinha no meu coração, né? Acho que todos vocês sabem que, com nove anos, eu perdi a minha mãe, então eu sentia um vazio, aquele amor. E ela veio. Lógico, que cada um nas suas proporções. Nada vai suprir esse amor, porque ela era minha mãe, e a Antonela é minha filha. Mas ela, de alguma forma, veio para suprir e preencher algo que eu sentia vazio. Sou mais alegre, minha esposa, minha família, minhas irmãs, são pessoas que me ajudam diariamente. As coisas têm acontecido aqui fora também, estou mais alegre, as coisas transcendem. Para acontecer dentro do campo, temos que estar bem fora de campo.

Seu aproveitamento como pai está tão bom quanto o de jogador? Tem se saído bem nas tarefas do dia a dia?
– Bem, bem. Temos que estar presentes na medida do possível. Vivemos em uma correria louca nesse calendário apertado. Sempre que estou em casa, fico perto, presente, para que ela possa sentir o carinho do pai. Costumo ajudar também. Troco uma fralda, dou uma limpada, banho. Eu subi para o escritório para dar entrevista e ela queria vir para cá, está gritando lá embaixo.

Aquele período sem treinos, por conta da quarentena, te aproximou ainda mais dela, não?
– Esse tempo eu tirei, de verdade, para ficar com a minha filha. Lógico que esse tempo nunca é bom, é triste tudo que estamos passando, mas foi bom para ficar perto dela. Ela estava crescendo, foi bom ter ela do lado, entender um pouco como é ser pai, se mostrar presente, ajudar minha esposa com algumas tarefas. Cuidei dela e treinei muito. Estava querendo voltar em forma boa, então foram as duas coisas que mais fiz.

Quando está em casa, você gosta de ver futebol? Tem muito jogador que diz que não, que já faz isso como profissão e prefere buscar outras formas de lazer.
– Sou fascinado por futebol, minha mulher fica louca. Futebol brasileiro, Campeonato Inglês, Carioca, Paulista, todo tipo de jogo que tiver passando na televisão eu estou vendo. Deixo isso escancarado aqui em casa. Todo mundo que vem em casa sabe disso. Conheço vários que gostam de ver outra coisa, mas eu sou futebol 100%.

E tem alguém no futebol mundial hoje que te inspira?
– Cara, maioria das entrevistas que eu dei sempre falei de um cara que admiro muito, que acho que tenho características parecidas, que é o Philippe Coutinho. O vi desde a base, sempre gostei dele. E agora tem o De Bruyne também. Ele tem me inspirado bastante também. Tenho visto muito o Manchester City. Ele finaliza muito, dá muita assistências, passes chaves, passes para finalização, gols, vive um grande momento. É um craque do futebol, dispensa comentários, me inspira bastante.

Estamos no começo da temporada. Neste momento, você costuma estipular metas de gols e assistências?
– Eu prefiro pensar jogo a jogo. Lógico que quero todo jogo fazer gol, dar assistência, aumentar meus números, prefiro pensar assim. Cada jogo que eu puder fazer assim, um gol, dois gols, passe, hat-trick, vai me ajudar e ajudar o Corinthians. Quero ir jogo a jogo crescendo. Na minha cabeça, se tiver que fazer 15 gols, fica como se fosse um peso a mais. Quero que as coisas aconteçam naturalmente, claro que queria fazer 30, 40 gols por temporada, mas vamos jogo a jogo.

O que o Corinthians pode almejar para a temporada? Fora de campo, é um ano de reestruturação. Mesmo assim, dá para brigar por coisas grandes?
– O time no papel é muito qualificado. Tem jogadores multicampeões no Corinthians e na Seleção, temos lastro, grandes chances de alcançar coisas boas. A diretoria já falou de pés no chão, estão tentando trabalhar de outra maneira, colocar ordem na casa. Financeiramente, não é um bom momento, mas nosso elenco eu tenho total confiança. Há jogadores de qualidade, meninos que subiram de uma safra muito boa. O Rodrigo (Varanda) é a prova, já fez gol, tem personalidade. Tenho certeza que os meninos vão nos ajudar bastante.

Nesta semana estreou “Acesso Total”, série do SporTV, que mostra bastidores do Corinthians. Como foi para você participar dessa produção? Já teve tempo de assistir?
– Assisti. Eu já tinha visto várias perecidas, como a série do Manchester City, do Tottenham, e quando surgiu conosco achei maneiro. Primeiro clube brasileiro que está fazendo isso, achei maneiro. É bem diferente se ver na televisão não estando dentro do campo. Achei muito da hora a iniciativa do Globoplay, da Globo. Mostra o que a gente faz tirando o campo. Torcedor vê no campo e fala algumas coisas, tem questionamentos. Agora, por outro lado, pode mudar a cabeça. Não só do Corinthians. Isso pode ajudar na evolução do torcedor.

Na série, a gente descobriu um lado mais brincalhão do Mancini. Ele é assim mesmo?
– Muito. Ainda mais ali antes do treino, que vai fechar para bater um papo, falar um pouco da semana, ele solta piadas, faz algumas perguntas, alguns respondem. Ele diverte a rapaziada.

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Fonte: G1 – Globo.

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