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Marcus Vinicius de Freitas: Enfim, 2021!

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Marcus Vinicius de Freitas: Enfim, 2021!

Enfim, 2021!

Marcus Vinicius de Freitas

Enfim, o ano de 2021 chegou. O ano de 2020, coletivamente, deixará poucas saudades, porém muitas lembranças. Em 2020, o mundo passou por enorme transformação com muitos impactos por gerações: Trump não foi reeleito como presidente dos Estados Unidos, o Reino Unido logrou concluir as negociações para sair da União Europeia, Abe Shinzo –  o mais longevo primeiro-ministro – saiu do poder no Japão, o Peru enfrentou uma enorme instabilidade política, Nicolás Madurou seguiu resiliente na Venezuela, a economia chinesa recuperou-se e expandiu seu crescimento em meio a uma crise mundial, a economia global aprofundou em recessão e as perspectivas  de controle da pandemia, por mais que as vacinas sejam eficientes, ainda permanecem aquém do esperado para que as coisas retornem a algum tipo de normalidade. Em 2021, as máscaras ainda deverão continuar  e o mundo seguirá com um misto de esperança e medo.

Não há dúvida de que o ciclo da pandemia será ainda mais letal por suas consequências econômicas. Afinal, o impacto econômico da COVID-19, aliado à incompetência dos governos em lidar com o assunto, será intensificado. A reconstrução da economia global demandará tempo e, mesmo que haja o controle da pandemia, assuntos até agora relegados a segundo plano emergirão com intensidade: aumento da inflação, distúrbios nas redes globais de fornecimento e a recuperação econômica lenta.

A China oferece um exemplo de retorno rápido à normalidade econômica e à dinâmica do crescimento. Em que pese a culpa que lhe atribuída por alguns conspiracionistas quanto à Covid-19, a realidade é que a liderança política chinesa soube navegar, com habilidade, as águas turbulentas de um período sem precedentes na história recente. Não se trata do regime político, mas sim da habilidade da liderança governante.

O mesmo não se pode dizer de muitos dos países no Ocidente. Basta observar o impacto global de Donald Trump. Em quase quatro anos, os Estados Unidos cresceram economicamente e se apequenaram politicamente. O “America First” de Trump transformou o país em “America Last” como parceiro confiável no contexto global. E, apesar dos ganhos econômicos de seus primeiros três anos de mandato, a arrogância egocêntrica não resistiu a um vírus. E tampouco fez retroceder o número de mortes e transmissões no país que, sem dúvida, tem o melhor sistema de saúde no mundo. Joe Biden, apesar de ser, provavelmente, um pato manco à frente da presidência, tentará restaurar um pouco do terreno perdido por Trump na liderança global. Talvez seja tarde.

O continente europeu, por outro lado, deverá ter um 2021 mais tranquilo, apesar da enorme letalidade do vírus em países com uma faixa etária mais elevada. A grande perda do ano será a partida de Angela Merkel como Chanceler da Alemanha. Sua racionalidade, liderança e senso extraordinário de estabilidade permitiram à Europa navegar períodos intensamente turbulentos nas duas últimas décadas. A voz calma e serena de Angela Merkel – apesar dos descontentamentos gerados pela crises econômicas e as subdivisões internas da União Europeia quanto à questão migratória – permitiu ao projeto europeu seguir firme, apesar das muitas tentativas de frustar a sua continuidade.

Nossos parceiros de BRICS – Russia, Índia e África do Sul – também enfrentarão problemas domésticos que, de alguma forma, impactarão o crescimento econômico. A COVID-19, na Índia, representa grande preocupação para Narendra Modi. Na África do Sul, o turismo, uma indústria importante, ainda sofrerá por causa da crise, com resultados negativos devido à pandemia. E a Rússia, de Putin, amargará, ainda por um tempo, a queda do preço global do petróleo.

O Brasil atravessará um período complicado. Sem planos efetivos para o seu crescimento econômico, com um governo que pretende polarizar ainda mais o debate político, em preparação para o pleito eleitoral de 2022, os próximos dois anos não melhorarão a situação do país substancialmente. Se a economia não melhorar, aliado à recordação negativa relacionada à COVID-19, Bolsonaro enfrentará um cenário eleitoral adverso. O grande desafio de Bolsonaro será garantir que 2021 não seja 2020+1. Se isso ocorrer, o País sentirá saudades de Dilma Rousseff – algo que seria trágico.

Marcus Vinicius de Freitas, Advogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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