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Marcus Vinicius de Freitas

Marcus Vinicius de Freitas: Tempos de transição global

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Marcus Vinicius de Freitas: Tempos de transição global

Tempos de transição global

Marcus Vinicius de Freitas

Nas últimas sete décadas, os Estados Unidos consolidaram uma posição invejável no tabuleiro global. Ascendeu a uma posição de preeminência, enquanto os possíveis concorrentes se encontravam destruídos, incapazes de exercer pressão suficiente para mudança das regras implantadas. A Europa sentiu os efeitos da Segunda Guerra até praticamente a década de 1970. Esse longo período de recuperação deu aos Estados Unidos uma vantagem substancial no xadrez global. O poderio norte-americano, à medida que a Europa se recuperou, diminuiu gradativamente. No entanto, a guerra ideológica com a União Soviética fez com que os Estados Unidos assumissem um papel de liderança sem precedentes na história. Diante de um embate constante, a União Soviética ruiu por sua incapacidade de renovar-se e inovar, principalmente, para atender as enormes demandas econômicas das suas várias repúblicas. Mikhail Gorbachev, antevendo o colapso do império soviétivo, tentou, tardiamente, implementar políticas de abertura econômica – perestroika – e política – glasnost que se provaram ineficazes e extemporâneas. O resultado foi o colapso soviético em 23 de dezembro de 1991.

O fim do império soviético consolidou a primazia dos Estados Unidos no sistema internacional. George H. Bush, então presidente norte-americano, após os anos dourados de Ronald Reagan, afirmou que, a partir daquele momento, uma nova ordem mundial se desenhava, com os Estados Unidos liderando unilateralmente a nova dinâmica global. A partir desse momento, o país manteve-se na posição principal, baseado em quatro pilares básicos: (i) o poderio militar do país; (ii) o dólar norte-americano como moeda de reserva global e esteio do sistema financeiro internacional; (iii) a liderança na tecnologia global como fator determinante do poderio nacional, e (iv) os valores de liberdade, justiça e estado de direito.

A partir da década de 1990, a China passou a assumir mais efetivamente uma posição de maior relevância. Este processo foi iniciado em 25 de outubro de 1971, quando, com aprovação da Resolução 2758 das Nações Unidas, o país assumiu o assento permanente no Conselho de Segurança. A China manteve um crescimento silencioso. Aos poucos, o país, por meio do planejamento centralizado governamental, com metas e resultados quinquenais, aliado a um nível elevado de poupança eum investimento massivo em educação, abriu sua economia para o mundo. Tranformou-se na maiorpotência comercial global, ocupando a primeira posição como parceiro comercial de mais de 120 países no mundo. Os Estados Unidos e a Europa, por outro lado,viram sua relevância no Produto Global reduzir-se.

A questão militar, hoje em dia, apesar de relevante, tem perdido espaço para os conflitos cibernéticos. Armas nucleares, que por muito tempo aterrorizaram o mundo, atualmente são menos temidas que os ataques cibernéticos. Na recente cúpula entre Biden e Putin, em Genebra, mais importante do que a discussão nuclear, a preocupação principal foi a questão cibernética e seu potencial destrutivo.  O avanço tecnológico da China, refletido, por exemplo, pelo lançamento do módulo lunar, exploração de Marte, e pela tecnologia 5G, representa para os Estados Unidos dois problemas: a perda da liderança na área tecnológica e, no caso da tecnologia 5G,  uma perda econômica estimada em mais de US$ 800 bilhões, além de tdos os derivativos econômicos decorrentes das novas tecnologias. No aspecto relativo ao dólar como reserva global de valor, este é, de fato, um fator difícil a superar. No entanto, observamos a China, através de iniciativas como a Nova Rota da Seda, fomentar o uso da Renminbi como moeda de troca nas transações. Além disso, em cada vez mais acordos, a China tem incentivado o uso de sua moeda para estimular a mudança. No entanto, para que a China logre tal substituição, a estratégia gradual deve compreender o aumento da confiança na sua moeda e um crescimento na descrença da moeda norte-americana. Por fim, a questão dos valores, a “cidade que brilha na montanha” vem desde Bill Clinton se deteriorando, pela incoerência de suas ações  em muitas situações, ou até mesmo por sua atuação contrária aos valores apregoados. Esta insconsistência, por certo, além da incapacidade de administrar a crise da pandemia da COVID-19 de maneira exemplar, vem retirando dos Estados Unidos este importante pilar. Neste sentido missionário de propagação de valores, a China, claramente, tem afirmado que não pretende exercer esse tipo de posicionamento.

A grande dúvida é sobre como os Estados Unidos se comportarão no dia em que assumirem um papel secundário na liderança global: resistência ou pacifismo?Os próximos anos serão, sem dúvida, os mais agitados que a atual geração enfrentará. Se a Guerra Fria foi generosa em gerar momentos de tensão, torçamos que este novo período seja menos turbulento. É o pêndulo inexorável da História.

Marcus Vinicius de FreitasAdvogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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