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Marcus Vinicius de Freitas

Marcus Vinicius de Freitas: A Cúpula de Cornualha

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Marcus Vinicius de Freitas: A Cúpula de Cornualha

A Cúpula de Cornualha

Marcus Vinicius De Freitas

Fundado em 1975, no esteio da primeira crise do petróleo, o G7, que reúne o grupo das grandes democracias ricas – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – realizará sua Cúpula anual em Cornualha, na Inglaterra, de 11 a 13 de junho. A liderança rotativa do G7 desta vez recai sobre o Reino Unido, que estabeleceu algumas prioridades para discussão: a luta e recuperação após o coronavirus e a criação de um futuro mais verde e próspero. Além disso, haverá discussões sobre o incremento do comércio mundial e também a questão dos valores democráticos. O G7, que já foi extremamente importante, tem visto seu peso econômico e político cair substancialmente nos últimos anos. O G20, que inclui várias potências não ocidentais, tem, de fato maior representatividade e poderio econômico.

A Cúpula, que será presencial pela primeira vez desde o início da pandemia, contará com a participação de Joe Biden, dos Estados Unidos, em sua primeira viagem presidencial ao Exterior. Nesta ocasião, Biden pretende mostrar-se, pela segunda vez, como líder global, após a Cúpula Virtual de Líderes sobre o Clima realizada em abril deste ano. Biden, por certo, apresentará um estilo diferente de seu antecessor, Donald J. Trump, porém o conteúdo de seus objetivos não serão distintos. Depois do G7, Biden participará das Cúpulas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia-Estados Unidos. E, por fim, terá um encontro com seu homólogo russo, Vladimir Putin, em Genebra, na Suíça, em 16 de junho.

O G7 já não exerce o mesmo tipo de poder ou influência como no passado. O momento global é diferente e inexiste, de fato, uma coesão quanto ao papel que o Ocidente deverá desempenhar nos próximos anos. O momento unipolar que o mundo vivenciou após o colapso da União Soviética foi encerrado pela ascensão de uma China, agora muito mais assertiva, que é parte fundamental da agenda global. Além disso, discursos nacionalistas como “America First”, por exemplo, dilaceraram o conceito multilateral, com maior ênfase à questão multipolar. A cooperação caiu a um segundo plano e a manutenção do poder se tornou o único objetivo prevalecente.
O G7 se encontra num momento delicado. A pandemia da Covid-19 revelou o declínio do poder relativo do Ocidente, sua inabilidade em tratar de uma questão sanitária de maneira racional, o distanciamento de parceiros históricos, como Europa e Estados Unidos, além da fragilidade da economia global. Os longos lockdowns e a velocidade com que o Coronavírus se espalhou no Ocidente revelaram, comparativamente ao sucesso no combate realizado pelos países do Leste da Ásia e no retorno à normalidade anterior, o quanto o Ocidente estava, de fato, enfraquecido. A questão que surge, então, é: está o Ocidente condenado ao declínio irreversível?

O fato é que, já há algum tempo que o Ocidente, principalmente o G7, não tem lutado contra os inimigos reais da humanidade – miséria, fome, analfabetismo, poluição e degradação ambiental – mas tem-se dedicado a uma radicalização ideológica sem sentido e ao abandono de uma ação coletiva na erradicação de tais desafios. O mundo, atualmente, enfrenta problemas como 800 milhões de estudantes desqualificados entrando no mercado de trabalho e 400 milhões de crianças, abaixo de onze anos de idade, que não sabem ler. Além disso, os governos, ao invés de adotarem medidas de maior inclusão digital, pouco fizeram, estabelecendo uma nova linha de divisão nas sociedades: os digitalmente ricos e os pobres. A Cúpula do G7 somente alcançará êxito se, de fato, os países mais ricos se comprometerem a contribuir substancialmente – e com ousadia – para a vacinação de toda a população global, ajudando, particularmente os países pobres e de logística vulnerável para que todos sejam imunizados. Enquanto a imunização não ocorrer, o perigo da pandemia seguirá presente. Para isso ocorrer, é preciso contar com uma renúncia temporária nos direitos de propriedade intelectual das vacinas, por exemplo.

O maior desafio desta Cúpula do G7 será garantir que não seja transformada em mais um foro de críticas à China e ao seu processo de ascensão, com a repetição de teorias conspiratórias, críticas infundadas e a tentativa de restaurar uma nova Guerra Fria. Os sinais emitidos, no entanto, revelam que este deverá ser o rumo tomado nos próximos dias. Ao convidar os líderes da África do Sul, Austrália, Coreia do Sul e Índia (que não estará presente) para construir uma aliança de contenção à China, o sucesso da Cúpula parece já estar comprometido. O mundo precisa de lideranças que compreendam, claramente, que mais do que independência, a palavra de ordem é interdependência. O planeta é um condomínio que requer que todos contribuam efetivamente para a sua melhoria. Caberia ao G7 dar o exemplo.

Marcus Vinicius De Freitas, Advogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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