Siga nossa Redes
xvideos4.pro julia jerez de garcia salinas.
ngentot pagkantot sa magandang kapitbahay.
www.hotdesimovs.com blowjobs and pussy play.

Sem categoria

Marcus Vinicius de Freitas: Mandela e o Apartheid

Publicado

em

Marcus Vinicius de Freitas: Mandela e o Apartheid

Mandela e o Apartheid


Marcus Vinicius de Freitas

Uma das lutas mais importantes do século XX ocorreu na África do Sul, onde, por muito tempo, perdurou um regime de segregação racial, comumente conhecido como Apartheid, em que a maioria da população negra era tratada como de segunda ou terceira classe em sua própria terra, em razão da cor de sua pele. Esta triste situação perdurou por vários anos, ensejando lutas e confrontos que prejudicaram, profundamente, o país, criando-lhe cicatrizes profundas que, apesar do tempo, ainda permanecerão expostas e sentidas por gerações.

Em 17 de março de 1992, há quase 30 anos, esse regime divisívo chegou ao fim, após um referendo em que a maioria dos eleitores – somente brancos – apoiaram o fim do regime. O apartheid foi, sem dúvida, um dos piores tipos de segregação e discriminação racial aplicada por uma minoria que restringia, de modo profundo, a participação de não-brancos tanto no governo como na sociedade sul-africana. Vários movimentos contrários ao regime surgiram na época, com lideranças que buscaram, por meio da resistência e resiliência, combater uma situação insustentável de divisão social.

Dentre os muitos que lutaram contra esse regime, Nelson “Madiba” Mandela foi o que mais se destacou por suas quase três décadas na prisão, durante o período. Mandela, após anos de lutas infindáveis, logrou ser eleito o primeiro presidente negro da África do Sul. Sua atuação política – mais do que algumas de suas crenças ideológicas – foi voltada ao processo de cicatrização de uma sociedade dividida pela cor de sua pele. Para Mandela, enquanto a cor dividisse a nação, pouco se poderia esperar de seu futuro. Ele compreendia que nações divididas pouco alcançam ou constroem. Forjar, efetivamente, uma nacionalidade multicor, deve ser um compromisso coletivo perene.

Mandela poderia ter perseguido aqueles que o aprisionaram. Poderia, inclusive, ter criticado os juízes que o prenderam ou ter-se declarado “o homem mais injustiçado e honesto do mundo”. Não o fez.  Poderia, ainda, ter instaurado um regime revanchista de perseguição aos inimigos políticos, numa tentativa de condená-los pelos erros do passado. Não o fez. Mandela buscou a reconciliação nacional, pois comprendia, claramente, a importância de seu papel histórico e também que os erros do passado jamais seriam consertados. A receita da reconstrução seria olhar para o futuro, evitar os erros anteriores e buscar o rejuvenescimento de um povo sofrido pela discriminação.

Esta triste realidade ainda persiste até os dias atuais. Talvez, mais que incendiar, no entanto, a receita de Mandela ainda é relevante para lidar com as máculassociais: o que importa é cicatrizar. E buscar todos os mecanismos para reconciliar uma nação. Num de seus momentos mais brilhantes, após sua libertação após 27 anos de cadeia, Madiba afirmou: “Saúdo todos vocês em nome da paz, da democracia e da liberdade para todos. Estou aqui diante de vocês não como um profeta, mas como um humilde servo seu, o povo.”

O cenário político dos últimos anos, em muitos países,tem enfatizado mais a divisão do que a cooperação. Em que pesem as diferenças de opinião, é importante o entendimento de que, em determinados momentos, o debate cessa e a razão deve prevalecer. Foi a cooperação coletiva que ajudou o Japão, por exemplo, no processo de recuperação após as tragédias nucleares de Hiroshima, Nagasaki e, mais recentemente, Fukushima.

Reconciliar é, sem dúvida, uma das grandes lições deixadas por Mandela. Sua atitude e seriedade têm servido como parâmetros de liderança em momentos de divisão.  É verdade que a África do Sul ainda segue com enormes desafios em sua estrada de reconstrução nacional. Um só homem não consegue mudar o destino de uma nação. No entanto, o posicionamento de Mandela inspira a compreensão de que quem prega divisões, o “nós contra eles”, não constrói. Empobrece a todos coletivamente. E condena uma nação ao rodapé da história.

Marcus Vinicius de FreitasAdvogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

mais lidas