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Marcus Vinicius de Freitas

Marcus Vinícius de Freitas: Dois anos de Bolsonaro

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Marcus Vinícius de Freitas: Dois anos de Bolsonaro

Dois anos de Bolsonaro


Marcus Vinícius de Freitas

Ao celebrar seu segundo ano como Presidente do Brasil, em meio a uma pandemia, Jair Bolsonaro teve muito pouco a comemorar. Os resultados são pífios e o País segue dividido e sem boas perspectivas para o futuro. Do presidente que não praticaria a “Velha Política” àquele que, praticamente, bancou a eleição do Presidente da Câmara de Deputados, muitas das promessas e expectativas relacionadas a Bolsonaro se viram frustradas. Obviamente – ressalte-se – não havia qualquer razão para eleger Fernando Haddad. Seria incoerente ao País, que combatia a corrupção implantada pelo Partido dos Trabalhadores como modus operandi de governo, colocar de volta no Poder aqueles que o vilipendiaram. Bolsonaro não era a escolha perfeita, mas no paredão da eleição presidencial, não foi o eliminado.
Muito se esperava do governo atual, com particular ênfase ao combate à corrupção e um afastamento das práticas aplicadas nos últimos 35 anos, desde a restauração democrática no Brasil. Pelo contrário, temos notado um governo que discute muito, terceiriza obrigações, não admite culpas e, para piorar, esvazia a maior operação global de combate à corrupção. O País observa uma militarização dos quadros administrativos que recorda muito àquilo que Hugo Chávez fez na Venezuela em seu primeiro mandato. E, infelizmente, algumas das narrativas que levaram ao atraso político do País, como o período militar, repetem-se e que, de fato, pouco fortalecem a democracia. Aquilo que realmente importa, como a erradicação da miséria, o aumento da renda per capita brasileira e o reposicionamento global do Brasil, são varridos para debaixo do tapete. E, na busca da reeleição, o Brasil tenta parar o relógio do tempo, com muitos acreditando que com mais quatro anos do atual governo, o País avançará. Não é o caso.
A economia brasileira, contrariamente ao prometido, não cresce como poderia, o desemprego está cada vez maior e o País patina. Há uma fuga de investimentos no País, com uma taxa de mortalidade empresarial jamais vista. Há também uma piora no nível salarial. E, ao invés de se tomarem providências para resolver os problemas – o tsunami recessivo que se aproxima – todos são culpados, menos o governo, que é um deserto de propostas e ideias para resolver os desafios do País.
No plano internacional, o governo apequenou o País. À exceção do posicionamento acertado na questão venezuelana para oferecer refúgio àqueles desamparados pelo regime de Maduro, no geral, o Brasil, que já não vinha bem há muito tempo – afinal, não é nada bom ser conhecido internacionalmente como o país da corrupção – pouco contribuímos no processo de reconstrução da ordem global. Pelo contrário, o governo fez apostas equivocadas e viu, com a perda eleitoral de Donald Trump, seu principal bastião de apoio, diluir-se. Até hoje não se viu, efetivamente, mudanças na Política Externa Brasileira que diferenciem a administração atual das anteriores, além dos alinhamentos ideológicos equivocados. O governo ofendeu parceiros econômicos importantes, de todas as formas imagináveis e não levou em consideração o fato de que para falar alto, é necessário ter conteúdo. Neste sentido, o desorganizado combate à COVID-19 expôs a enorme incapacidade do governo de planejar, coordenar e mobilizar quanto às medidas a serem adotadas, particularmente num governo que, repleto de militares, deveria saber construir estratégias de ação.
Na agenda doméstica, Bolsonaro atropelou muitos assuntos caros à pauta conservadora: colocou na Suprema Corte um juiz que pouco se distingue dos outros, não avançou com a liberalização econômica do País, e pouco contribuiu para, efetivamente, reduzir o Custo Brasil e o Custo de Ser Brasileiro.
Muitos são contrários ao estilo de Bolsonaro. Certamente, tem sido diferente de seus predecessores. Mas, infelizmente, a toada segue igual e o governo atual pouco oferece à recuperação econômica do País.
Ao que parece, Bolsonaro seguirá igual. Este é o seu normal. Ninguém sabe qual é o seu objetivo de longo prazo para o Brasil. Se olharmos para os resultados alcançados nos últimos dois anos, de fato, pouco o qualificará à reeleição. Se não for reeleito, a culpa não será das urnas eletrônicas ou fraudes eleitorais. E sim dos resultados – ou da ausência – de sua gestão.

Marcus Vinícius de Freitas, Advogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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