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Saúde

Mais de 10 hospitais de SP têm escassez de antibiótico; funcionários relatam 9 mortes em unidade de Guaianazes

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Mais de 10 hospitais de SP têm escassez de antibiótico; funcionários relatam 9 mortes em unidade de Guaianazes

Médicos de mais de 10 hospitais da cidade de São Paulo, entre públicos e particulares, relataram escassez do antibiótico Polimixina, que mata bactérias multirresistentes. Funcionários do Hospital Geral de Guaianazes, na Zona Leste da cidade, disseram que, nos últimos dias, pelo menos nove pacientes da mesma UTI desenvolveram infecções que poderiam ser tratadas com a Polimixina B e que o hospital, que é do governo do estado, está sem o antibiótico. Todos os nove pacientes morreram.

Em todo o país, pessoas que venceram a Covid-19 estão morrendo por desabastecimento do antibiótico, que é usado em pacientes que ficaram internados por um longo tempo com ventilação mecânica e outros aparelhos. Um levantamento do Jornal Hoje mostra que o desabastecimento já atinge hospitais públicos e particulares de 13 estados e no DF.

Na capital paulista, funcionários dos hospitais Emílio Ribas, Hospital das Clínicas, Santa Casa de Misericórdia, Santa Casa de Matão, Hospital Universitário, Hospital Geral de Guaianazes, Hospital Municipal do Itaim Paulista, Santa Casa do Jaçanã, Nipo Brasileiro, Vila Nova Star, Sírio-Libanês, Grupo NotreDame Intermédica e Albert Einstein relataram escassez ou dificuldade na aquisição do insumo.

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (23) que vai acelerar a compra de 350 mil frascos do antibiótico. O secretário-executivo da Saúde de São Paulo, Eduardo Ribeiro, disse à TV Globo que o estado vem enfrentando dificuldades para adquirir a Polimixina B há alguns meses, por causa da grande demanda no mercado interno e externo, mas declarou que as unidades da rede estadual estão abastecidas da Polimixina ou de algum medicamento similar.

“Essa situação não é confortável. Ela vem no pacote do kit intubação. E nós não estamos inertes diante dela. Nós, além das compras de rotina que são feitas em cada um dos hospitais, também estamos monitorando a rede. Acelerando o processo de compra dos hospitais”, disse Ribeiro.

Em relação às nove mortes relatadas pelos funcionários do Hospital Geral de Guaianazes, o secretário-executivo afirmou que nenhum paciente morreu na unidade por falta da Polimixina B.

Segundo ele, dois pacientes tiveram prescrição médica do antibiótico e receberam o tratamento adequado, mas morreram em virtude da gravidade clínica.

O secretário de Saúde da cidade de São Paulo, Edson Aparecido, afirmou à TV Globo que os “hospitais municipais têm estoques para três meses”. Sobre a Santa Casa do Jaçanã, ele confirmou “que não tem e que não está conseguindo comprar”, mas que deve ser reposto na segunda-feira (26).

Venda por atravessadores

 

Falta de antibiótico em hospitais faz pacientes recorrerem a atravessadores

Falta de antibiótico em hospitais faz pacientes recorrerem a atravessadores

JH teve acesso a um vídeo gravado por um vendedor que diz ter contato com distribuidoras de remédios de uso exclusivo em hospitais. A falta do medicamento nas redes pública e privada do país tem empurrado famílias de pacientes de Covid para atravessadores, que cobram preços altos.

A encomenda era para a Fernanda Ferreira Kalil, que estava desesperada para salvar o pai, Fernando, que estava intubado no Hospital Regional, em Campo Grande.

Quarenta ampolas de Poliximina estavam sendo vendidas por R$ 12 mil, quase oito vezes mais do que o preço médio pago pelos hospitais. Mas não deu tempo. Em 13 de junho, Fernando morreu. “Infelizmente ele não conseguiu finalizar o tratamento”, conta Fernanda.

Desde maio, a Santa Casa de Matão, no interior de São Paulo, tem dificuldade para comprar o remédio. “Conseguimos, felizmente, nessas últimas semanas negociar uma compra de Polimixina B. E devemos ter estoque aí para uns 15, 20 dias”, diz Flávio Antonio Borsetti Neto, coordenador de UTI da Santa Casa de Matão.

Treze estados e o Distrito Federal estão com falta ou dificuldade para comprar o antibiótico. — Foto: Reprodução/TV Globo

Treze estados e o Distrito Federal estão com falta ou dificuldade para comprar o antibiótico. — Foto: Reprodução/TV Globo

Autorização da Anvisa

 

No Brasil, cinco empresas têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para comercializar a Poliximina injetável. Os laboratórios afirmam que os pedidos aumentaram muito – e que, por isso, foi preciso prorrogar os prazos de entrega.

Em maio, a Sociedade Brasileira de Infectologia comunicou à Anvisa “a preocupação da classe médica com o desabastecimento da Polimixina observada em todas as regiões brasileiras há vários meses”. E pediu que os medicamentos fossem considerados prioritários para uso em serviços de saúde.

“O antibiótico está em falta não somente no mercado brasileiro, mas também no mercado exterior pela necessidade maior agora por conta da pandemia de Covid-19, os custos estão mais elevados, e isso acaba gerando também a dificuldade nos serviços públicos. Então para isso precisaria ter também uma mobilização maior do Ministério da Saúde para que seja facilitada essa compra por conta do serviço de saúde”, diz Leonardo Weissmann, infectologista a Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

Em junho, a Anvisa autorizou que o remédio fosse importado de forma excepcional e temporária. Com essa liberação, alguns hospitais particulares têm comprado o antibiótico fora do país.

Para o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, a falta da Polimixina é grave. “Esse antibiótico, a Polimixina, ela é usada quando todos os outros antibióticos praticamente falharam. Eu costumo dizer que isso é o pânico de qualquer farmacêutico hospitalar, farmacêuticos que trabalham em hospital e faltar esse tipo de produto, pois não tem outro medicamento que possa ser usado no lugar”, explica Marcelo Polacow.

O Ministério da Saúde disse que não há compra centralizada da Polimixina e que os gestores locais são responsáveis pela aquisição do medicamento.

A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul disse que está dando suporte necessário para os pacientes do Hospital Regional onde morreu o seu Fernando, e que conseguiu comprar 33,5 mil ampolas da Polimixina para serem entregues nos próximos 15 dias. O hospital disse ainda que está utilizando tratamento similares nos pacientes.

O Jornal Hoje conversou com os representantes das empresas que vendem o antibiótico Polimixina. Eles disseram que a demanda cresceu muito e que estão empenhados para garantir o aumento da oferta e abastecimento do medicamento nos hospitais públicos e particulares.

Sobre o vídeo que mostra um atravessador vendendo o antibiótico da Mylan, a empresa disse que não vende o produto diretamente aos pacientes porque é um medicamento de uso hospitalar e que, por isso, essa venda é proibida.

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Fontes: G1 – Globo.

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