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Educação

‘Letra M, de Mãe’: na era digital, mães contam como é criar os filhos sem saber ler

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'Letra M, de Mãe': na era digital, mães contam como é criar os filhos sem saber ler

Em minidocumentário do G1, quatro mulheres relatam como não puderam participar ativamente da vida escolar dos filhos e inúmeras dificuldades surgidas pela falta de instrução.

A gestação traz muitas dúvidas para mulheres que se preparam para ser mãe. Em geral, pesquisas na internet ou desabafos em grupos nas redes sociais ajudam a solucionar algumas delas. Para mulheres que não sabem ler, o apoio fica mais restrito.

Neste dia das mães, o G1 publica o minidocumentário “Letra M, de Mãe” sobre mulheres que tiveram dificuldades na criação dos filhos, por não terem estudos.

Simone de Souza, 48 anos, é uma dessas mulheres. Ela parou de estudar ainda criança para ajudar a cuidar dos irmãos em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. Quando teve filhos, sentiu o impacto da falta de estudos para poder criar as crianças. Maria de Lourdes Ferreira, 62 anos, migrou do Rio Grande do Norte para o Rio de Janeiro quando ainda tinha 9 anos, para trabalhar em “casa de família”. Pouco depois, também abandonou a escola. Sem instrução, pouco pode participar da vida escolar dos filhos.

Além de Simone e Lourdes, há ainda as histórias de Maria Cristina da Silva, 37 anos, e Maria José Penha, 62 anos, também mães que não completaram os estudos. Elas ilustram os desafios que o Brasil ainda enfrenta na educação: o abandono escolar e a evasão.

As gravações ocorreram em 2019, antes da pandemia, e retratam o retorno destas mulheres aos bancos escolares em turmas de alfabetização de adultos de um projeto voluntário de uma igreja na Zona Sul do Rio de Janeiro, para atender quem teve o ensino interrompido. Em março de 2020, as aulas foram interrompidas. Essas mulheres falam sobre os prejuízos que o fechamento das escolas trouxe na aprendizagem, um desafio a mais que deverão enfrentar na vida.

Simone de Souza e Maria Cristina da Silva durante as aulas presenciais de educação de jovens e adultos, antes da pandemia. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Simone de Souza e Maria Cristina da Silva durante as aulas presenciais de educação de jovens e adultos, antes da pandemia. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) apontam que, em 2019, mais da metade dos adultos acima de 25 anos (51,2%) não havia completado os estudos. Os motivos principais para evasão entre jovens de 14 a 29 eram:

  • necessidade de trabalhar (39,1%)
  • pouca atratividade da escola (29,2%)
  • gravidez (23,8%)
  • afazeres domésticos (11,5%)

 

Até março de 2020, o Brasil tinha 3 milhões de estudantes matriculados na EJA. A situação é pior para aqueles que não se alfabetizaram. Há 11 milhões de analfabetos no país, acima de 15 anos, que não sabem ler nem escrever.

Moradora de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, Simone de Souza conta os desafios de voltar a estudar na maturidade. Ela frequentava turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) antes da pandemia, e teve que interromper os estudos. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

— Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Moradora de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, Simone de Souza conta os desafios de voltar a estudar na maturidade. Ela frequentava turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) antes da pandemia, e teve que interromper os estudos.

Entre os analfabetos, 50,13% são mulheres. O percentual aumenta conforme a idade vai avançando: acima de 40 anos, 52% dos analfabetos são mulheres; acima de 60, 56%.

Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), as mulheres somavam 49,3% das matrículas antes da pandemia – os dados indicam que, para elas, voltar a estudar ainda é um pouco mais difícil do que para os homens, o que pode impactar em gerações futuras.

“Os estudos mostram que aumentar os níveis de educação das pessoas jovens e adultas têm enorme benefício para as novas gerações. Famílias mais educadas são mais capazes de dar valor à educação escolar e de acompanhá-las em seu desempenho”, afirma a doutora em educação e professora da USP Maria Clara Di Pierro, doutora em educação e professora da USP, especialista em educação de jovens e adultos.

 

Especialistas em educação afirmam que pessoas sem estudos têm uma leitura menos crítica do que ocorre ao seu redor, e maior dificuldade de fazer análises globais das situações.

Os dados indicam que muitas delas são navegadoras frequentes da internet, usam redes sociais e aplicativos de mensagens, mas são facilmente enganadas com notícias falsas, não compreendem ironias, metáforas e frases em sentido figurado. Entre alunos de 15 anos, matriculados regularmente, 67% não sabem diferenciar fatos de opiniões, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O índice pode ser maior entre aqueles que não estudam.

“A mãe com menos repertório vai oferecer menos a essas crianças, os cuidados de higiene, de alimentação, nutrição. Quando entra na escola, é outro desafio: o desafio não só da mãe acompanhar o conteúdo para ver se a criança está aprendendo, mas de também de poder dialogar com a escola. Muitas vezes, a mãe não conhece aquele ambiente, porque ela não frequentou. É um espaço estranho”, afirma Ana Lúcia Lima, que coordenou o estudo Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) Brasil.

 

Mas, mesmo com todas as dificuldades, mães sem estudo podem contribuir para o desenvolvimento dos filhos de diversas maneiras.

“A narração de histórias que não precisam ser lidas no livro, a memória do seu lugar de origem, contar a história da família, cantar com o filho, brincar com o filho, tudo isso é extremamente importante também. A mãe pode sempre, se ela tiver essa intencionalidade explícita, contribuir com o letramento do seu filho”, afirma Ana Lúcia Lima.

 

Estudos após a maternidade

 

Maria de Lourdes Ferreira (à esquerda) nas aulas presenciais de educação de jovens e adultos, antes da pandemia. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Maria de Lourdes Ferreira (à esquerda) nas aulas presenciais de educação de jovens e adultos, antes da pandemia. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Simone conta que só estudou até o primeiro ano do ensino fundamental. Levou a vida trabalhando como empregada doméstica, mas ao ter filhos, sentiu as amarras que a falta de instrução poderia lhe trazer. Quando uma das meninas ficou doente, pegou um remédio para medicá-la. Achou que fosse o correto, só que não sabia ler o rótulo. Não fosse um vizinho para alertá-la, Simone conta que poderia “ter matado” a criança.

Maria de Lourdes, que migrou do Nordeste, parou de estudar no quinto ano. Sem instrução adequada, ela não conseguia empregos melhores, e não pode participar ativamente da vida escolar dos filhos. Ela se emociona ao lembrar que ou cuidava dos filhos da patroa, ou cuidava dos dela.

Maria Cristina da Silva, 37 anos, é dona de casa e mãe da Nicole, de 10 anos. Ela conta que pede ajuda ao marido quando a menina tem dificuldade com o dever de casa, ou quando precisa sacar dinheiro. Cristina conta que, quando recebe uma mensagem por escrito e não consegue ler, manda para o marido ou para a filha. Ela sonha ser menos dependente, se expressar melhor, participar mais da educação da menina e se tornar professora.

Maria José Penha estava nas aulas da EJA antes da pandemia, mas teve que interromper os estudos. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Maria José Penha estava nas aulas da EJA antes da pandemia, mas teve que interromper os estudos. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Há também Maria José Penha, 62 anos, empregada doméstica aposentada. Há mais de 30 anos saiu de João Pessoa (PB) e trabalhou por todo esse tempo para a mesma família. Seu projeto de vida era dar aos filhos a oportunidade que não teve. Já criou três. Ela lembra que, quando ia ao médico, pedia para uma amiga preencher os formulários porque não sabia ler as informações pedidas. Em 2019, comemorava as conquistas com a alfabetização, iniciada um ano antes.

Pandemia

 

Os estudos foram interrompidos com a pandemia. Em maio de 2021, ainda não haviam sido retomadas. Sem o acompanhamento próximo dos professores, ficou mais difícil estudar.

“Chorava todos os dias porque eu não podia ir à aula, não podia ter contato com as pessoas que a gente ama”, afirma Maria José. “Tirou tudo. Tirou minha liberdade, tirou minhas aulas”, conta. “Não teve aula, não teve nada, então fiquei isolada em casa. Sinto muita falta do contato com as minhas professoras, colegas de sala de aula e das pessoas que estavam ali três dias por semana. Fez muita falta, foi muito ruim mesmo. Eu perdi o ano todo”, afirma.

Simone sentiu a perda de pessoas próximas por Covid e afirma que esqueceu o que já havia aprendido. “Perdi amigos, familiares, pensei que ia perder o meu emprego, mas graças a Deus eu não perdi. Quando acabar isso, a gente vai ter que voltar do zero, por que o que a gente estava aprendendo já esqueceu. Mas a gente vai continuar”, conta.

“Agora é muito mais urgente aprender a ler e escrever corretamente, sem medo nenhum e conhecer um novo mundo. Eu to torcendo que minhas aulas comecem”, relata Maria José.

Retrato de um Brasil sem estudos

 

Combate ao analfabetismo ainda é desafio no Brasil. Entre eles, 50,13% são mulheres. NA educação de jovens e adultos, elas eram 49,3% dos matriculados até março de 2020. — Foto: Reprodução/TV Globo

Combate ao analfabetismo ainda é desafio no Brasil. Entre eles, 50,13% são mulheres. NA educação de jovens e adultos, elas eram 49,3% dos matriculados até março de 2020. — Foto: Reprodução/TV Globo

Entre a população de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização está acima de 99%, mas começa a cair entre os que têm 15 anos ou mais. Entre as pessoas de 18 a 24 anos, 32,4% se declaram escolarizados. Já para quem tem mais de 25 anos, a taxa de escolarização era de 4,5% em 2019.

Mas três a cada dez brasileiros (29% da população) de 15 e 64 anos ainda são analfabetos funcionais – pessoas com dificuldades de leitura, escrita e de operações simples de matemática. Entre os matriculados no ensino médio, 13% ainda estavam nesta situação em 2019. E no ensino superior, 4%.

A educação de jovens e adultos no Brasil

 

Especialistas em educação alertam que as matrículas na educação de jovens e adultos são muito reduzidas no Brasil e o investimento público no setor é baixo. Em 2019, sob a gestão do governo Jair Bolsonaro e do ministro Ricardo Vélez Rodríguez, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) foi extinta.

Aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Rio de Janeiro. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Rio de Janeiro. — Foto: Gustavo Wanderley/TV Globo

Até março de 2020, dos três milhões de pessoas matriculadas na EJA, 1,7 milhão estudavam em turmas do ensino fundamental e 1,2 milhão no ensino médio.

Para especialistas, seria preciso investir em novas formas de educação para este público, e romper com um modelo escolar feito para crianças e adolescentes.

Matrículas na Educação de Jovens e Adultos
Até março de 2020, 3.002.749 pessoas estavam estudando nesta modalidade.
Ensino fundamental: 58,29 %Ensino médio: 41,71 %
Fonte: Censo Escolar 2020/MEC
Faixa etária dos alunos da EJA
Ao todo, 3.002.749 pessoas estavam matriculadas até março de 2020.
434.639434.639498.898498.898598.365598.365296.620296.620237.986237.986227.134227.134696.139696.13915 a 17 anos18 a 19 anos20 a 24 anos25 a 29 anos30 a 34 anos35 a 39 anos40 anos ou mais0200k400k600k800k
Fonte: Censo Escolar 2020/MEC

Maria Clara Di Pierro, doutora em educação e professora da USP, defende uma flexibilização no formado de aulas, com jornadas escolares mais curtas e que não se estendam por todos os dias da semana. A ideia é possibilitar um respiro para que esses adultos consigam conciliar os estudos com outras necessidades de vida, como a responsabilidade familiar e profissional.

O preconceito social em relação à aprendizagem na idade adulta também contribui para a falta de investimento na área, mas a psicologia da educação sustenta que uma pessoa saudável pode aprender perfeitamente na idade adulta e na velhice, segundo Di Pierro.

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Fonte: G1 – Globo .

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