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Juros do cheque especial recuam em agosto e os do cartão de crédito sobem, diz Banco Central

Redação
Escrito por Redação

Os juros bancários médios cobrados no cheque especial recuaram em agosto, enquanto os valores do cartão de crédito rotativo registraram elevação no período, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (25).

Nas duas linhas de crédito, as taxas continuaram acima do patamar de 300% ao ano.

  • O juro médio do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas subiu de 300,3% ao ano, em julho, para 307,2% ao ano, em agosto deste ano. Na parcial deste ano, o crescimento foi de 21,8%, pois a taxa estava em 285,4% ao ano no fim de 2018.
  • Já a taxa média do cheque especial, de acordo com a instituição, recuou de 318,7% em julho para 306,9% em agosto de 2019. Nos oito primeiros meses deste ano, a queda foi de 5,7% – pois somava 312,6% ao ano no fim de 2018.

O comportamento dos juros bancários em agosto, e na parcial do ano, acontece em um ambiente de queda da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para controlar a inflação. Essa taxa caiu de 6,5% para 6% ao ano no fim de julho, com impacto de agosto em diante.

Ao mesmo tempo, o crescimento das taxas cobradas pelos bancos foi registrado em um ambiente de pequena alta na inadimplência. A taxa geral de inadimplência para pessoas físicas e para as empresas (com recursos livres) passou de 3,9% em julho para 4% em agosto deste ano.

Linhas de crédito mais caras

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da sua fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente.

Para usar o crédito rotativo, o consumidor paga qualquer valor entre o mínimo e total da fatura. O restante é automaticamente financiado e lançado no mês seguinte, com juros.

O cheque especial é uma linha emergencial que permite ao correntista gastar um certo limite definido pelo banco, mesmo que ele não tenha dinheiro na conta.

A recomendação de especialistas é de que os clientes evitem essas linhas de crédito ou as utilizem por um período muito curto de tempo, pois as taxas de juros cobradas são extremamente elevadas.

A recomendação é que os clientes substituam essas modalidades por linhas mais baratas, como, por exemplo, o crédito consignado, em que as prestações do empréstimo são descontadas da folha de pagamentos.

Juros bancários médios

De acordo com o BC, houve pequena queda nos juros médios das instituições com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) de julho para agosto. Entretanto, a taxa avançou na parcial dos sete primeiros meses deste ano:

  • a taxa média total (pessoa física e jurídica) passou de 38% ao ano, em julho, para 37,9% ao ano em agosto. Na parcial do ano, avançou 2,3 pontos percentuais, pois estava em 35,6% ao ano no fim de 2018;
  • os juros nas operações com pessoas físicas passaram de 52,2% ao ano, em julho, para 52,1% ao ano, em agosto. Nos oito primeiros meses do ano, subiu 3,2 pontos percentuais, pois somava 48,9% ao ano no fechamento de 2018;
  • a taxa cobrada das empresas recuou de 19,1% ao ano, em julho, para 18,9% ao ano, em agosto. Na parcial deste ano, subiu 0,1 ponto percentual, pois estava em 18,8% ao ano no fim de 2018.

Spread bancário

O chamado spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram de seus clientes) apresentou estabilidade em agosto.

No caso das operações com pessoas físicas e com empresas, o spread ficou estável em 31,6 pontos em agosto deste ano. Nas operações com pessoas físicas, passou de 45,7 pontos para 45,6 pontos nessa comparação. Com isso, o spread bancário segue em patamar elevado para padrões internacionais.

O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Juros bancários elevados

Juros bancários elevados inibem o consumo e também os investimentos na economia brasileira. Esse é um dos problemas, segundo economistas, a serem enfrentados pela gestão do presidente Jair Bolsonaro.

Dados do BC mostram que os cinco maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2018, 84,8% do mercado de crédito. Esse cálculo inclui os bancos comerciais, os múltiplos com carteira comercial e as caixas econômicas.

No ano passado, a rentabilidade dos bancos brasileiros ficou no maior patamar em sete anos e o lucro líquido dos bancos somou R$ 98,5 bilhões, recorde da série histórica que começa em 1994.

O economista Roberto Campos Neto, antes de ter seu nome aprovado para comandar o Banco Central, avaliou que o sistema bancário brasileiro não é mais concentrado do que em outras economias desenvolvidas e disse que atuará fortemente para reduzir o spread e os juros bancários.

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