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Com pandemia, número de profissionais de motofrete cresce 40% em um ano na cidade de SP

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Com pandemia, número de profissionais de motofrete cresce 40% em um ano na cidade de SP

Aumento se deve a maior demanda durante isolamento social e acréscimo de 78% no número de novos restaurantes cadastrados em plataformas de entrega. Profissionais pedem melhores condições de trabalho e reclamam da falta de apoio das empresas.

O número de motociclistas que atua em motofrete na cidade de São Paulo cresceu quase 40% em um ano devido à pandemia de coronavírus, que mudou o padrão de consumo das pessoas, deixando a população mais em casa devido ao isolamento social, necessário para evitar a propagação da doença.

O número é do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo (SindimotoSP) que afirma que a categoria, apesar de essencial, ainda não tem recebido a atenção devida das autoridades e das empresas que contratam os serviços. Segundo a entidade, em março de 2020, quando a epidemia começou no estado, eram 220 mil profissionais autônomos na capital – o número saltou para mais de 305 mil em fevereiro deste ano. Na época, 1% do total era composto por mulheres – atualmente são 3%.

Segundo o presidente do Sindimoto, Gilberto Almeida dos Santos, os profissionais autônomos chegam a trabalhar até 16 horas por dia e recebem menos de R$ 2 mil por mês, com o desconto de gasolina. Santos critica a precarização do trabalho dos profissionais e pede apoio às empresas de aplicativo, às quais os motociclistas devem se associar para poderem realizar entregas.

“Nossa categoria já era marginalizada antes da pandemia, agora, está mais ainda, pois recebeu uma enxurrada de profissionais de outras áreas que ficaram desempregados e passaram a atuar como motoboys. Há muita dificuldade em manter a segurança, já que o profissional, além de ter contato com várias pessoas por dia, também se mata nas ruas para chegar rápido. Há uma pressão enorme para cumprir prazos, fazer mais corridas em menor tempo, cumprir entregas em dias de chuva”, afirma o presidente do Sindimoto.

Os trabalhadores e as trabalhadoras são chamados de motofretistas por serem responsáveis pela entrega de mercadorias, seja alimento, supermercado, remédio, produtos em geral, fazendo com que a categoria se consolidasse como uma das mais importantes no período de isolamento social.

Em junho de 2020, a categoria começou a realizar protestos na cidade de São Paulo e em frente à Câmara de Vereadores pedindo melhores condições de trabalho em meio à pandemia. As reclamações dos entregadores em geral são três: a queda no valor das taxas de remuneração; os bloqueios indevidos e sem justificativas dos profissionais por determinados aplicativos, impedindo que continuem prestando o serviço durante certo período; e o sistema de pontuação de ranking, que é o que define os dias e a área em que o entregador pode atuar, por exemplo.

Segundo os profissionais, essas regras não são claras nem discutidas com os motoboys. O presidente do Sindimoto diz que os entregadores têm até medo de dizer que estão com sintomas de Covid-19, pois não recebem nenhum apoio das empresas e ainda são bloqueados por tempo indeterminado.

Outro pedido é o de auxílio alimentação ou o fornecimento de refeições durante o período de trabalho.

“Há uma falsa autonomia no serviço. As empresas de aplicativos alegam que estão aumentando a oferta de emprego na capital, mas, na nossa opinião, o que ocorre não é isso, pois a demanda é originada dos restaurantes, dos bares, de quem fornece os produtos. Os motoboys são só o meio para a entrega e isso sempre existiu, mesmo antes de o mercado ser absorvido pelos aplicativos”, afirma o presidente do SindimotoSP.

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Restaurantes se digitalizam e aumentam demanda

 

Uma das empresas que mais absorve entregadores na cidade de São Paulo é a iFood. Em março de 2020, segundo a plataforma, seu número de entregadores ativos chegou a 170 mil. A demanda foi aumentada durante o ano com a digitalização de mercados, restaurantes e comerciantes, que passaram a utilizar com mais frequência o motoboy para entregas na cidade, segundo a empresa.

Entre março e dezembro de 2020, 100 mil estabelecimentos se digitalizaram com a ajuda da plataforma – atualmente, são 236 mil. No estado, o número de novos restaurantes cadastrados cresceu 78% no mesmo período.

Para a empresa, “houve uma grande mudança de comportamento de consumo do paulistano no delivery”. De março a dezembro de 2020, a cidade de São Paulo apresentou crescimento no número de pedidos durante o café da manhã, sendo um aumento de 120% em dias de semana, dado superior aos fins de semana, que registrou aumento de 107% de pedidos no período. Pedidos de pães registraram um crescimento de 496%, assim como bolos, tortas doces e outras sobremesas representaram crescimento de 155%.

A plataforma de entrega diz que tem procurado apoiar a categoria de diversas formas na pandemia, com a entrega de mais de 600 mil kits de proteção, com máscaras e álcool em gel, além do repasse mensal no valor de R$ 30 aos profissionais para a compra dos materiais. O iFood diz ainda que oferece seguro de acidentes pessoais e de vida para os entregadores, que cobre até R$ 15 mil de despesas médicas e indenização.

Segundo a empresa, o pagamento dos profissionais é feito conforme rotas e outros fatores, que englobam a retirada do pedido no restaurante, a distância percorrida e o dia da semana. Independentemente do percurso, o entregador receberá um valor mínimo de R$ 5.

Empresas dizem apoiar diagnosticado com Covid

 

Em nota, a Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), entidade que representa mais de 120 plataformas digitais que conectam consumidores a produtos e profissionais autônomos, afirmou que, em 2020, “a crise econômica no contexto da pandemia e o fechamento de quase 14 milhões de postos de trabalho, segundo o IBGE, prejudicou a renda das famílias e negócios no país” e que “o modelo das plataformas de entrega foi ainda mais importante para que muitos brasileiros conseguissem gerar renda”.

A entidade diz que as empresas estão ajudando os profissionais nas ruas e também os que precisam ser afastar por causa da doença, criando fundos internos para “apoiar financeiramente os entregadores que forem diagnosticados com Covid-19 e que precisam ficar em casa em razão de suspeita de infecção pelo vírus ou que forem colocados em quarentena por uma autoridade médica”.

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Os aplicativos não têm relação de emprego formal com os trabalhadores das plataformas.

Embora existam processos que busquem estabelecer vínculo empregatício, o atual parecer do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é o de que não há relação formal entre esses prestadores de serviços e as plataformas. No final de 2020, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) se posicionou também contra a ausência de subordinação na cadeia.

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Fonte: G1 – Globo.

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