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Bárbara Silvestre – Vergonha alheia: circunstancial ou existencial?!

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Vergonha alheia: circunstancial ou existencial?!

A nossa desgraça enquanto nação é explícita: a nossa história política é impregnada pela corrupção; a nossa realidade socioeconômica é discrepante; a nossa infraestrutura é precária; somos incultos, estimulados intelectualmente à estagnação; nossos heróis são farsantes; e as tragédias, esfregadas dia após dia na nossa cara pela mídia. A pandemia apenas ressalta e intensifica a miséria da nossa realidade. Como se não bastasse, somos manchados pelo massacre em Suzano, pelo rompimento da barragem de Brumadinho, os diversos incêndios – dentre eles, o do Museu Nacional e Centro de Treinamento do Flamengo –, as enchentes, violência, fome etc. Esses são apenas alguns aspectos que venho hoje destacar para reflexão porque, nesta mísera realidade, as vidas perdidas não podem se tornar apenas números, estatística. Estamos todos, em certa proporção, anestesiados. Como não estar? Aos meus olhos, esta característica de “anestesiamento” que carregamos é, antes, uma via de sobrevivência e auto preservação da sanidade mental. Não leitor, eu não estou sendo pessimista. Apenas almejo que reflitamos juntos: estar anestesiado é completamente diferente de estar alienado. Alguns estão mergulhados na alienação e no egoísmo. Ignoram informações seguras, fecham os olhos para a desgraça alheia, não querem saber acerca da tristeza do próximo porque esta é tida como uma ofensa à sua ilusória felicidade, medem a realidade a partir da pequena circunferência de seus pessoais mundinhos, são os donos da razão, os especialistas da ignorância. Eu teria um imenso prazer em informar, às
almas bem pequenas, que a alienação não é armadura forte o suficiente para protegê-las da assombração de nossos fantasmas enquanto nação. Entretanto, esse tipo de pessoa, muito bem definida por Cazuza como “sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas”, não lerão este breve artigo de opinião. O confortável egoísmo da alienação à desgraça alheia, ao diferente, à intelectualidade e ao novo, é uma característica que não se aplica ao meu leitor. Talvez você esteja anestesiado, muitas vezes não consiga mais chorar pelas nossas mortes e desgraças, mas você não é alheio a elas porque você, simplesmente, não pode e não consegue ser. Tudo bem estar esgotado, mas jamais conformado. Agostinho defendeu que nós não somos responsáveis pelo que não conhecemos, mas somos responsáveis por não buscar o conhecimento. Eu aqui, humildemente, venho defender que nós não somos apenas
responsáveis pelo mal que praticamos ao próximo, mas principalmente, pelo bem que deixamos de fazer.

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