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Dia a Dia

Aos 42 anos, funcionária pública inicia terapia na pandemia e se descobre como mulher trans: ‘me libertei’

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“Acho que não tive muita opção. Ou me assumia, ou parava em um manicômio”. A declaração é da funcionária pública Adriana Beatriz Batista, de 44 anos, moradora de São Vicente, no litoral de São Paulo. Em 2020, com 42 anos, em meio à pandemia de Covid-19 e com muito tempo sozinha para pensar, ela iniciou uma terapia e descobriu que seus problemas não estavam ligados ao isolamento social, mas sim, ao fato de reprimir quem ela realmente é, uma mulher trans.

Beatriz era reconhecida pelos amigos, familiares e colegas de trabalho como um homem homossexual. Porém, ela nunca se identificou com coisas masculinas. “Sempre me vi e me percebi como mulher, mas são coisas que a gente vai reprimindo, por conta da sociedade. Mas, veio a pandemia, e tive muito tempo para pensar sobre a vida”, conta.

Sozinha em casa, ela começou a se sentir mal durante o isolamento social, medida adotada para evitar a propagação do vírus da Covid-19, e iniciou uma terapia. Durante as sessões, com o apoio psicológico, Beatriz descobriu que, na verdade, é uma mulher trans.

“Acho que chegou a minha hora de viver. Ser trans é assumir sua própria identidade”, relata.

 

De acordo com dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), só 4% das pessoas trans têm trabalho formal. A associação revela, ainda, que a expectativa média de vida de transexuais é de apenas 35 anos, e que cerca de 90% das travestis e transexuais do país sobrevivem da prostituição.

 

Conhecendo esses dados, Beatriz acredita que é privilegiada por ter iniciado a transição após os 40 anos. Ela conta que sofreu muito preconceito por parte de colegas de trabalho, que não aceitaram a transição, e diz que só não foi demitida por ser funcionária pública. Além disso, apesar de a mãe dela ter tido dificuldades para aceitar a filha, ela já possuía estabilidade para se sustentar, mesmo sem apoio da família. Atualmente, a família a aceita bem.

Funcionária pública relata ter sofrido diversas situações de preconceito após transição de gênero — Foto: Arquivo Pessoal

Funcionária pública relata ter sofrido diversas situações de preconceito após transição de gênero — Foto: Arquivo Pessoal

“Acho que o meu diferencial, meu privilégio, foi transicionar mais tarde, e já ter um emprego, uma certa estabilidade. A maioria das pessoas trans transiciona aos 13 anos, é a média. E muitas são expulsas, não são aceitas pela família, não conseguem emprego. A maioria morre, na média, aos 35 anos, então, sinto que tenho uma vida de privilégios”, explica.

Apesar disso, ela revela que passou por processos muito dolorosos, já que levou 42 anos para entender quem realmente era. Assim, o período pandêmico acabou tendo um lado positivo para ela, já que a ajudou a se descobrir.

“Foi um processo extremamente doloroso, que talvez nunca conseguisse se não fosse a pandemia, se não tivesse parado para refletir sobre isso. Eu mesma precisei desconstruir meus preconceitos, porque cresci em uma época onde ser trans era uma doença. Ouvi diversos comentários de ‘amigos’ e conhecidos. São discursos de ódio, que você tem que acabar lidando. Mas, eles têm que cuidar do corpo deles, e eu, do meu”, afirma.

Renascimento

 

Para Beatriz, a transição foi um renascimento. Ela conta que sempre se sentiu mulher, mesmo sabendo que nunca será uma mulher cis (pessoa que nasceu com o órgão sexual feminino e se identifica com o gênero feminino), e agora se sente feliz com quem é. “É como se eu tivesse nascido de novo, começado a viver agora. A grande dificuldade para a pessoa trans é se olhar no espelho, porque a gente percebe que nosso corpo não reflete como a gente se vê. Eu preciso aceitar que nunca vou ser uma mulher cis, mas tenho a minha beleza”, conta.

“Era como se eu tivesse monstros dentro de um quarto, e estivesse segurando a porta para eles não saírem. Gastava muita energia nisso. Acho que, se não me assumisse, minha tendência era o suicídio, mas hoje, estou feliz”, continua.

 

O fato de transicionar aos 42, descobrir quem realmente é após uma vida inteira reprimindo sua identidade, e ter que enfrentar comentários negativos não fizeram com que Beatriz desistisse. Pelo contrário. Ela se dedica a entender cada vez mais sobre o assunto, para ajudar, também, outras pessoas que passam pelas mesmas lutas que ela.

Em 2021, ela aceitou contar sua história em um documentário desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Produzido pelos universitários Gabriel Fomm e Evelyn Nayara da Silva, ‘Estação de Transição‘ conta o processo de Beatriz, além dos desafios que ela enfrentou no trabalho e dentro de casa, com ela mesma.

“Na verdade, descobri o que sempre fui. Me libertei, porque me sentia aprisionada. As pessoas falam sobre eu militar, mas é claro que milito. Sou uma mulher trans, então, a minha existência é uma militância”, conclui.

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G1

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