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Análise: Corinthians se livra do risco que nunca devia ter corrido e tem por que sonhar com mais

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Análise: Corinthians se livra do risco que nunca devia ter corrido e tem por que sonhar com mais

Timão tem boa atuação diante do fraco Sport e volta aos trilhos após goleada no Dérbi

Além de cicatrizar a ferida deixada pela goleada para o rival Palmeiras, a vitória do Corinthians sobre o Sport por 3 a 0, na última quinta-feira, fez o clube chegar aos 45 pontos no Brasileirão, atingindo aquele que é considerado o número mágico para fugir do rebaixamento. É verdade que este fantasma já havia sido espantado ainda em 2020, mas é bom lembrá-lo para alinhar expectativas e realidade do Timão.

Por sua tradição e também pelo investimento no elenco – uma das folhas salariais mais altas do Brasil – o Corinthians nem sequer deveria ter corrido tal risco, mas ele foi real antes da chegada de Vagner Mancini, em outubro do ano passado.

Agora, o Timão mira voos mais altos e sonha com uma vaga na próxima Libertadores. Há motivos para acreditar nisso, embora o atropelo no Dérbi tenha dado margem para dúvidas.

A possibilidade de o G-6 do Brasileirão virar G-8, dependendo dos campeões da Copa do Brasil e da Libertadores, faz a missão parecer menos difícil. Mas o desempenho corintiano também inspira confiança. A equipe de Mancini não é tão boa quanto os 5 a 0 sobre o Fluminense fizeram parecer, nem tão ruim quanto alguns concluíram depois do 4 a 0 para o Palmeiras.

É, sim, consistente, tendo 60% de aproveitamento com o treinador – mesmo desempenho do Atlético-MG, quarto colocado na competição.

Diante do Sport, o Corinthians retomou o padrão das partidas anteriores, quando alcançou uma sequência de sete duelos invicto. Perante um adversário com enormes dificuldades para atacar, o Timão se impôs e, apesar de um ou outro vacilo defensivo, teve o controle da partida, como mostram os números:

  • Posse de bola: 58% x 42%
  • Finalizações: 20 x 11
  • Passes certos: 484 x 273
  • Desarmes: 22 x 15

 

Para este confronto, a principal novidade na escalação de Mancini foi a entrada de Camacho na vaga de Cantillo. Gil e Gabriel, suspensos, foram substituídos por Bruno Méndez e Ramiro, como já se esperava.

Ciente de que teria a bola na maior parte do tempo, Mancini abriu mão de um primeiro volante mais marcador, como poderia ser Xavier, e qualificou a saída de bola. Camacho ficava entre os zagueiros, numa saída de três, e os laterais eram liberados para atuarem na linha dos meias. Em alguns momentos, Fagner chegou a ficar espetado no ataque, mas o técnico percebeu que ele tinha mais liberdade atuando um pouco mais recuado e assim o deixou.

Camacho entre os zagueiros na saída de bola do Corinthians — Foto: Bruno Cassucci

Camacho entre os zagueiros na saída de bola do Corinthians — Foto: Bruno Cassucci

O Corinthians foi melhor desde o início, mas começou errando muito o último passe. Foi assim quando Mosquito entrou livre pela direita e cruzou nas mãos do goleiro, quando Cazares não completou passe para Jô, na entrada da área, e quando Fábio Santos chegou livre pela esquerda, mas pegou mal na bola.

O Sport se fechava numa primeira linha de quatro defensores seguida de outra com cinco jogadores. Embora retrancado, o time pernambucano oferecia espaços para tabelas, sobretudo quando o Timão conseguia alargar o campo, com Mosquito e Mateus Vital jogando bem próximos das linhas laterais.

As coisas ficaram mais fáceis depois do primeiro gol, que saiu numa jogada muito bonita. Fagner conseguiu uma inversão perfeita para Mateus Vital, que dominou no peito, conduziu em velocidade e serviu Cazares. O equatoriano, em grande noite, achou ótimo passe para para Mosquito, que infiltrou pelo lado direito. Diferentemente do que havia feito minutos antes, quando finalizou muito mal uma jogada cara a cara com o goleiro, o atacante encheu o pé e abriu o placar.

Mesmo em vantagem, o Corinthians seguiu em cima do Sport, dificultando a saída de bola adversária e mantendo a posse no campo de ataque.

O segundo gol, logo no início do segundo tempo, trouxe tranquilidade e premiou os pedidos de Mancini e a ousadia de Mateus Vital, que tem arriscado mais chutes de fora da área.

O meia foi um dos melhores em campo, dividindo o posto com Cazares e Fagner. Jô voltou a marcar, mas ainda assim não esteve numa grande jornada, errando lances bobos e demonstrando pouca mobilidade.

Jogadores do Corinthians comemoram gol de Jô contra o Sport — Foto: Marcos Ribolli

Jogadores do Corinthians comemoram gol de Jô contra o Sport — Foto: Marcos Ribolli

Embora tenha sofrido alguns sustos, em cochiladas de Bruno Méndez e Jemerson, o Timão voltou a terminar um jogo sem ser vazado, algo que aconteceu em sete das últimas nove rodadas.

É lógico que o torcedor não vai esquecer a derrota para o Palmeiras tão cedo, por tudo o que envolve o clássico, mas a atuação diante do Sport endossa a tese de Mancini de que a goleada sofrida foi somente um acidente de percurso.

O campeonato do Corinthians não é com os líderes, mas com as equipes da zona intermediária da tabela para baixo. Por isso, é fundamental vencer os três próximos compromissos, contra Bragantino, Ceará e Athletico-PR, todos em casa. A chance de vaga na Libertadores é mais real do que a de rebaixamento já foi um dia.

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GE – Globo Esporte.

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