
Redação Publicado em 06/07/2022, às 00h00 - Atualizado às 10h25
Este 5 de julho de 2022 já é um dos grandes dias da história do Corinthians na Copa Libertadores.
Nesta terça-feira, dez anos e um dia depois de conquistar o único título da competição em sua história, um time cheio de desfalques suportou a pressão da Bombonera durante 90 e mais alguns minutos, jogou com a cabeça no lugar, exorcizou fantasmas de sucessivas eliminações desde a conquista e avançou às quartas de final ao tirar o Boca Juniors nos pênaltis.
Não é apenas uma classificação. É um alívio ao corintiano após dez anos de decepções sem passar das oitavas da Libertadores – desde aquele (você sabe qual) jogo de Carlos Amarilla, passando por duas quedas para o Guaraní, do Paraguai, uma delas antes da fase de grupos, e eliminações na Neo Química Arena contra Nacional, do Uruguai, e Colo-Colo, do Chile.
Agora, no momento mais difícil da temporada, o Corinthians ganha casca e se permite sonhar com mais – inclusive com a perspectiva de ganhar o reforço de Yuri Alberto e retornos de nomes como Fagner, Maycon, Renato Augusto e Willian para as quartas, contra Flamengo ou Tolima (os dois decidem a vaga nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro).
Se o futebol não foi exatamente bonito, o Corinthianscriou casca em um jogo daqueles que forma caráter e define uma temporada – a equipe de Vítor Pereira segue viva em três frentes, mesmo com baixas em sequência.
Nesta terça, sem conseguir recuperar Fagner e Willian (que viajou à Argentina, mas dificilmente jogaria), o técnico começou o jogo com uma linha de cinco defensores para evitar o jogo do Boca pelos lados – principalmente com Villa em cima de Rafael Ramos. O atacante chegou a levar vantagem em alguns lances, mas Cássio vinha tendo pouco trabalho.
Até um pênalti bobo de Raul Gustavo em Pol Fernández. Com aquela cara de filme repetido…
No entanto, Benedetto, ex-carrasco do Palmeiras, soltou a bomba na trave e devolveu a esperança ao Timão, que se viu no lucro ao ir para o intervalo com o 0 x 0. O camisa 9 do Boca já havia perdido outro gol feito, quase na pequena área, mandando a bola na arquibancada.

Cássio e Benedetto em Boca x Corinthians — Foto: Staff Images / CONMEBOL
No ataque, o Corinthians produziu pouco, com Róger Guedes isolado, Mantuan muito bem marcado e Lucas Piton discreto. O goleiro Rossi não precisou defender uma finalização sequer nos 90 minutos.
Em um time já desfalcado, Vítor Pereira ainda perdeu João Victor e Mantuan por lesões – sendo que o zagueiro, vendido ao Benfica, se despede do clube. Da metade do segundo tempo até o final, o Timão se segurou com jogadores normalmente reservas, casos de Bruno Méndez, Bruno Melo, Roni, Giovane…
Mas, mesmo nesse cenário, e com uma Bombonera cheia e pulsante, não houve pressão exagerada ou aquela sensação de que o gol do Boca poderia sair a qualquer momento. Com a parte mental bem ajustada, o Timão cortou tudo o que chegou até sua área e contou com partidaças dos experientes Gil (que arrumou o setor defensivo) e Fábio Santos.
Assim, o jogo foi para os pênaltis. Raul Gustavo e Bruno Melo erraram, mas o time, novamente com cabeça no lugar, marcou até com heróis improváveis, viu Benedetto chutar um pênalti na lua e Cássio pegar outros dois, de Villa e Ramírez. Coube a Gil, com pitada de sofrimento, fazer o gol decisivo.
Um jogo que vale muito. Que forma caráter e afasta traumas. E o principal: que faz o torcedor se sentir cada vez mais identificado com o time de Vítor Pereira, numa noite que não será esquecida.
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