Nos próximos cinco dias, a Justiça Eleitoral de São José do Rio Preto (SP) define se Fábio Marcondes cometeu ou não crime de compra de votos nas últimas eleições. Nesta sexta-feira (3), com testemunhas e provas, que incluem gravações de conversas entre Marcondes e um cabo eleitoral, o promotor responsável pela acusação esteve frente a frente com o vereador e com o juiz, na primeira e única audiência desse processo.
O promotor André Luiz de Souza, que representa contra o ex-presidente da Câmara, Fábio Marcondes, disse que tem provas suficientes para que o vereador perca o mandato. “Um acervo grande de documentos tirados de celulares, chats, WhatsApp e provas documentais colhidas na busca e apreensão feita pela Polícia Federal, com indícios de que houve captação ilícita de sufrágio pelo requerido”, afirma o promotor.
Entre as provas principais estão áudios de WhatsApp trocados entre Fábio Marcondes e o cabo eleitoral Rogério Martins. As conversas, segundo o promotor, deixam claro que o vereador era quem dava as cartas para que o funcionário cobrasse favores de eleitores em troca de votos. “Os presentes narrados, como recursos, dinheiro, bolas de futebol, redes, vinculado ao esporte amador de Rio Preto, cestas básicas a população e também tem o abuso de poder econômico porque muitos dos recursos no procedimento não foram declarados na prestação de contas do candidato”, diz o promotor.
Acompanhado da advogada, Fábio Marcondes chegou ao Fórum faltando dez minutos antes do começo da audiência. O vereador, como tem feito desde o começo das investigações, se negou a falar com a imprensa. Mas, em outras oportunidades, ele negou as irregularidades citadas.
As investigações em torno de Marcondes começaram em outubro, quando a polícia achou uma lista com o cabo eleitoral Rogério Martins, com possíveis favores que o vereador teria feito em troca de votos. Depois disso, a Polícia Federal fez uma varredura no gabinete de Marcondes na Câmara e na casa dele. Até o celular do vereador foi apreendido.
O cabo eleitoral Rogério Martins não compareceu à audiência porque seria testemunha de defesa e foi dispensado por Fábio Marcondes. Ele não foi encontrado também por telefone.