Pedido de auditoria de gastos de Bolsonaro está parado há dois meses

Um pedido de auditoria dos gastos do presidente Jair Bolsonaro está parado há dois meses na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos

ABR -

Redação Publicado em 11/12/2019, às 00h00 - Atualizado às 18h21

Relator autonomeado do requerimento na Comissão na Câmara, Léo Motta (PSL-MG) é acusado por opositores de “engavetar” o pedido

Um pedido de auditoria dos gastos do presidente Jair Bolsonaro está parado há dois meses na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. Presidida pelo deputado Léo Motta (PSL-MG), aliado do governo e autonomeado relator do pedido, opositores acusam a comissão de “engavetar” a auditoria dos gastos do presidente com cartão corporativo, mostra uma resportagem do jornal O Estado de São Paulo .

O pedido de auditoria é do primeiro vice-líder do PSB na Câmara , deputado Elias Vaz (PSB-GO). Segundo o parlamentar, Motta se nomeou para atender pedido do Palácio do Planalto para que a tentativa de se fazer um pente-fino nos gastos do presidente não avance. “Ele é fiel ao presidente, então se nomeou relator e não colocou sequer o requerimento para a comissão apreciar. A estratégia dele é engavetar”, afirmou Vaz.

A última movimentação do pedido foi no mesmo dia em que Motta se tornou relator do pedido, em 6 de novembro.

Caso o pedido fosse aprovado, a auditoria ficaria sob competência do Tribunal de Contas da União (TCU). “Queremos saber por que o Planalto está querendo sigilo em gastos de R$ 14 milhões da Presidência? Pode até ter sigilo em algo que pode interferir na questão da segurança, mas o presidente está colocando sigilo em tudo. Esse valor que ele gastou até agora, a maior parte não podia estar em sigilo. Isso é contra tudo aquilo que o presidente pregou. Está sendo extremamente incoerente”, disse o deputado do PSB.

O governo federal ignorou uma decisão do Supremo Tribunal Federal  (STF) de novembro que derrubou o artigo de um decreto militar de 1967 que mantinha sob sigilo os gastos da Presidência da República. O artigo foi derrubado há um mês pela Corte, mas o Planalto continua sem divulgar as informações dizendo que as despesas reservadas do presidente e de seus ministros são confidenciais.

Após a decisão do STF , o governo foi notificado da mudança, mas ele continua dizendo que não vai tornar as informações públicas. O argumento utilizado é a Lei de Acesso à Informação (LAI), que diz que os gastos só devem ser mantidos sob sigilo se eles comprometerem de alguma forma a segurança nacional ou as negociações econômicas do País.

“Sobre o assunto, cabe esclarecer que a legislação utilizada pela Presidência da República para classificar as despesas com grau de sigilo é distinta daquela que foi objeto da decisão do STF”, disse, em nota, a assessoria de comunicação do Palácio do Planalto .

iG

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