Ícone do centro de São Paulo reabre ao público dentro do programa Vai de Roteiro.
Redação Publicado em 22/08/2025, às 15h39
Depois de seis meses de obras de conservação, o saguão do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo, foi reaberto ao público. A partir deste sábado (23), o prédio volta a integrar o programa Vai de Roteiro, iniciativa municipal que promove passeios guiados gratuitos para moradores e turistas interessados na história, cultura e arquitetura da cidade. Foram investidos R$ 93 mil em diagnósticos técnicos e R$ 3,1 milhões na execução das melhorias.
As visitas acontecem sempre aos sábados e domingos, em dois horários: 14h30 e 16h30. Além do hall principal, os grupos podem conhecer o jardim localizado na cobertura do edifício, espaço que comporta até 20 visitantes por turma. Para participar, não é necessário agendamento antecipado. Basta chegar ao local com até uma hora de antecedência — ou no mínimo 15 minutos antes — e apresentar documento oficial com foto. Crianças de até cinco anos também podem participar, mediante apresentação de certidão de nascimento.
O restauro do saguão mobilizou dez especialistas em conservação, restauro e manutenção. Entre os trabalhos realizados estão a fixação de placas de mármore travertino, a recuperação de esquadrias de madeira e metal e a aplicação de cera protetiva em toda a superfície. O projeto, conduzido pelo Estúdio Sarasa após processo licitatório, teve acompanhamento de arquitetos, engenheiros, artistas plásticos e historiadores, assegurando a preservação da identidade original do edifício, construído entre 1937 e 1939.
De acordo com a secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elizabete França, restaurar prédios históricos é fundamental para revitalizar o centro. “Essas ações atraem moradores, geram empregos, movimentam a economia e fortalecem a memória coletiva. O Matarazzo é um marco simbólico da cidade, que conecta passado e presente”, afirma. Já para os engenheiros responsáveis, a preservação também garante segurança diante das mudanças urbanas e da intensa circulação no entorno do Vale do Anhangabaú.
Mais do que a imponência do mármore e dos vitrais, o Edifício Matarazzo guarda um tesouro pouco conhecido: seu jardim na cobertura, com 400 espécies de plantas, lago de carpas e vista panorâmica para ícones como o Theatro Municipal, o Edifício Martinelli e o Farol Santander. Com 86 anos de história, o prédio já abrigou o Grand Hotel de La Rotisserie Sportsman, foi sede das Indústrias Matarazzo e chegou a ser conhecido como “Banespinha” na época em que pertenceu ao Banespa. Tombado em 1992, passou a abrigar a Prefeitura em 2004.
O saguão abriga esculturas de Galileo Emendabili, artista responsável também pelo Mausoléu do Soldado Constitucionalista, além de mosaicos criados por Giulio Rosso. Nas paredes, relevos celebram atividades ligadas à indústria e ao trabalho, enquanto os brasões da família Matarazzo reforçam a identidade do edifício. Um detalhe curioso: assim como outros prédios da época, o edifício não possui 13º andar, pulando do 12º direto para o 14º, por superstição.