Aliada próxima de Michelle Bolsonaro, parlamentar cearense disputa espaço no Senado e se tornou peça-chave na tensão interna do PL.
Redação Publicado em 26/06/2026, às 10h36
A deputada federal Priscila Costa tornou-se o principal nome no centro da recente crise política envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
O embate veio à tona após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais relatando ter se sentido desrespeitada pelo enteado durante discussões internas sobre os rumos eleitorais do Partido Liberal no Ceará. Segundo a ex-primeira-dama, a divergência surgiu justamente em torno da candidatura de Priscila ao Senado Federal.
Atual presidente do PL Mulher no Ceará e vice-presidente nacional do segmento feminino da legenda, presidido por Michelle, Priscila é considerada uma das principais lideranças conservadoras do Nordeste. Jornalista de formação, ela ganhou projeção política defendendo pautas ligadas à família, liberdade religiosa e valores cristãos.
Nas eleições municipais de 2024, Priscila foi a vereadora mais votada de Fortaleza, conquistando 36.226 votos. Em maio deste ano, assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados após a perda do mandato da deputada Dayany Bittencourt.
Michelle Bolsonaro defende que Priscila dispute uma das vagas ao Senado pelo Ceará nas eleições de 2026. Além dela, a ex-primeira-dama também articula as candidaturas das deputadas Carol de Toni e Bia Kicis, argumentando que o partido precisa ampliar a participação feminina nas disputas majoritárias.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro apoia a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes, nome que também conta com respaldo do diretório estadual do PL e de lideranças locais, entre elas o deputado federal André Fernandes, filho de Alcides e presidente estadual da sigla.
Outro ponto de divergência envolve a estratégia eleitoral no Ceará. Michelle resiste à possibilidade de uma composição com Ciro Gomes e defende apoio ao senador Eduardo Girão ao governo estadual.
Apesar do desgaste público, tanto Michelle quanto Flávio sinalizaram nos últimos dias que pretendem superar as divergências e atuar juntos na campanha de 2026. O senador negou ter desrespeitado a ex-primeira-dama e chegou a pedir desculpas publicamente. Michelle, por sua vez, afirmou que não existe disputa pessoal e reforçou que ambos trabalharão unidos nas próximas eleições.
A crise, no entanto, expôs disputas internas no PL e evidenciou o crescente protagonismo de Priscila Costa dentro do bolsonarismo nacional.