Investigação enviada ao STF cita transferência feita por fundo associado ao grupo do empresário Ricardo Magro; senador afirma que valor veio da venda de terreno em Teresina
Letícia Sales Publicado em 21/05/2026, às 13h40
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal ter identificado um repasse de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira.
O pagamento, segundo relatório da PF, foi direcionado à empresa Ciro Nogueira Agropecuária LTDA por meio da Athena Real Estate LTDA, companhia vinculada ao fundo EUV Gladiator. A investigação faz parte da Operação Sem Refino, que apura supostos esquemas de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis.
O grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, é ligado ao empresário Ricardo Magro, apontado pelos investigadores como líder de uma organização criminosa suspeita de utilizar a estrutura do governo do Rio de Janeiro para beneficiar operações da empresa.
O que diz a investigação
De acordo com a PF, a análise contábil da Athena Real Estate apontou que a empresa recebeu capital social de R$ 22 milhões e, posteriormente, realizou movimentações financeiras em favor da empresa ligada à família de Ciro Nogueira.
Os investigadores afirmam que ainda não há detalhes completos sobre a operação financeira e que a movimentação seguirá sob apuração.
Ricardo Magro teve a prisão decretada pelo STF durante a Operação Sem Refino. Ele vive atualmente nos Estados Unidos e é considerado foragido pelas autoridades brasileiras.
Defesa de Ciro Nogueira
Ao comentar o caso, Ciro Nogueira afirmou que a transação ocorreu por causa da venda de uma área de 40 hectares em Teresina, no Piauí.
“Pelo que fui informado, aqui pela empresa, uma empresa que eu não sou nem sócio, mas eles compraram uma grande área para construir uma distribuidora aqui em Teresina, uma área de R$ 14 milhões, 40 hectares na saída de Teresina, uma das áreas mais valorizadas de Teresina. E é uma área que hoje vale muito mais do que esses R$ 14 milhões. E que essa empresa ia construir, depois, ela teve uma série de denúncias, resolveu não fazer esse empreendimento”, declarou o senador.
O parlamentar também afirmou esperar que o episódio seja esclarecido “o mais rapidamente possível”.
Ex-assessor também é investigado
Embora Ciro Nogueira não seja alvo direto da Operação Sem Refino, a PF cumpriu mandado de busca contra Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário executivo da Casa Civil durante o período em que o senador comandava a pasta no governo de Jair Bolsonaro.
Segundo a investigação, uma empresa classificada pela PF como “empresa de passagem” ligada ao grupo Refit teria transferido cerca de R$ 1,3 milhão para Jonathas Assunção.
No relatório enviado ao STF, a Polícia Federal afirma:
“Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem.”
Os investigadores também apontam ausência de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada pela empresa utilizada na movimentação financeira.