Em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estatal assinou contratos para concluir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Mato Grosso do Sul. Projeto deve gerar cerca de 8 mil empregos e reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes.
Ana Beatriz Publicado em 26/06/2026, às 12h46
A Petrobras assinou os contratos para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a UFN III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ministros e autoridades estaduais e federais. A iniciativa marca a retomada de um dos maiores projetos industriais do setor de fertilizantes do país, que estava paralisado desde 2015.
O empreendimento receberá investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com recursos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC. Segundo a Petrobras, as obras serão retomadas ainda neste mês, com previsão de conclusão e início das operações em 2029.
A expectativa da estatal é que a construção gere aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos durante sua execução. Quando entrar em operação, a unidade deverá produzir ureia e amônia, insumos considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro, atendendo cerca de 15% da demanda nacional por ureia.
A UFN III teve sua construção interrompida em 2015 em meio ao processo de reestruturação da Petrobras e permaneceu anos sem conclusão, apesar de já estar em estágio avançado de execução. Após nova análise técnica e econômica, a companhia concluiu que o projeto voltou a apresentar viabilidade para ser finalizado.
Durante o evento, o presidente Lula afirmou que a retomada da fábrica representa um passo importante para ampliar a produção nacional de fertilizantes e diminuir a dependência das importações, especialmente diante dos impactos provocados por crises internacionais no fornecimento desses produtos.
Segundo o presidente, o Brasil precisa fortalecer sua capacidade produtiva para garantir maior segurança alimentar e reduzir os efeitos da volatilidade do mercado internacional sobre o custo dos alimentos. Ele também destacou que a guerra entre Rússia e Ucrânia evidenciou a vulnerabilidade brasileira em relação à importação de fertilizantes.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da unidade faz parte da estratégia da companhia de ampliar investimentos em áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento industrial do país e para a segurança energética e agrícola nacional.
Especialistas apontam que a produção nacional de fertilizantes é considerada estratégica porque o Brasil importa grande parte dos insumos utilizados pelo agronegócio. A ampliação da capacidade interna pode reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade do setor agrícola e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional.
Com a retomada da UFN III, a Petrobras reforça sua presença no segmento de fertilizantes, considerado um dos pilares do plano de expansão industrial da companhia nos próximos anos.