Ruído interno

Nikolas Ferreira adota silêncio em meio a crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro no PL

Deputado evita comentar crise no entorno bolsonarista e diz que prioridade é “tirar o PT este ano” nas eleições

Nikolas mantém postura discreta em meio às tensões internas no entorno político bolsonarista - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 26/06/2026, às 14h31 - Atualizado às 15h19

Em entrevista ao podcast Irmãos Dias, o deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que não irá se manifestar publicamente sobre a recente crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, após a divulgação de vídeos em que Michelle faz críticas ao filho mais velho do ex-presidente. Segundo ele, a decisão visa evitar alimentar o desgaste entre aliados e reduzir o impacto de novas repercussões públicas sobre o episódio.

Não vou dar nenhuma opinião a respeito disso, porque isso pode gerar mais narrativas, manchetes, falas, que podem contribuir para um atrito. E eu não tenho dúvidas que a gente tem uma missão e um foco, que é tirar o PT esse ano", afimrou o deputado.

Nos bastidores do Partido Liberal (PL), aliados avaliam que a postura discreta do deputado não se trata de acaso, mas de uma escolha para reduzir sua exposição em meio a uma disputa interna marcada por divergências políticas e tensões no entorno familiar do campo bolsonarista. Apesar de sua proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o parlamentar tem adotado uma atuação mais reservada, evitando declarações diretas sobre o impasse.

Entenda o contexto

A repercussão do episódio ocorre após a divulgação de um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no qual ela afirma ter se sentido “humilhada” e “apunhalada” pelo senador Flávio Bolsonaro, que é apontado como pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência.

Segundo Michelle, o atrito teria começado no fim de 2025, durante uma agenda política no Ceará, quando ela criticou a possibilidade de aproximação entre o PL e o grupo ligado ao ex-ministro Ciro Gomes, figura historicamente adversária do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ex-primeira-dama afirma que, após suas declarações, Flávio Bolsonaro passou a se manifestar publicamente em defesa de aliados políticos no estado, o que ela interpretou como uma reação direta e um gesto de ruptura dentro da relação entre ambos.

Em resposta, Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de ofensa e afirmou que nunca desrespeitou a ex-primeira-dama. Em publicação nas redes sociais, o senador declarou que não teve a intenção de atacá-la e pediu desculpas, ressaltando respeito por Michelle e reconhecendo sua atuação à frente do PL Mulher.

Tensão nos bastidores do PL

A crise envolvendo o núcleo familiar bolsonarista provocou reação imediata na cúpula do Partido Liberal (PL). O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, classificou o desentendimento como “muito sério” e afirmou que tentará intermediar pessoalmente uma reaproximação entre os dois.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o dirigente declarou que a preocupação central é evitar que o conflito interno gere desgaste público à legenda em um momento considerado sensível.

"Eu tenho que conversar com a Michelle chegando e com o Flávio. Nós temos que acertar isso aí, porque, se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa”, afirmou.

Aliado descarta impacto político-eleitoral

Por outro lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado político do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura próxima de integrantes do Partido Liberal (PL), minimizou a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, ao afirmar que o episódio deve ser tratado como uma questão de natureza familiar.

Durante coletiva na última quinta-feira (25), o governador disse acreditar em uma reconciliação entre os dois e avaliou que o impasse não deve gerar impactos relevantes na articulação política da direita para as eleições. “Eu acho que é uma questão de família. Acredito no bom senso. Acredito que eles vão se entender", comentou.

A situação expõe um momento de tensão no entorno político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro às vésperas do ciclo eleitoral, em meio a disputas internas e diferentes estratégias dentro do campo da direita. O atual cenário é de atenção redobrada, já que a exposição de divergências familiares e políticas pode influenciar o ambiente de pré-campanha e a construção de alianças.

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