Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação indicam que funcionário do ex-banqueiro esteve em gabinetes de parlamentares em fevereiro de 2024; dois deputados negam encontro e outro afirma não ter localizado registros da visita.
Redação Publicado em 28/07/2026, às 10h23
Registros de acesso da Câmara dos Deputados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) apontam que Sidney Santos, conhecido como "Kiko" e ex-motorista do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, realizou ao menos quatro visitas a gabinetes de deputados federais em fevereiro de 2024.
Segundo os documentos, Sidney informou na portaria da Câmara que se dirigiria aos gabinetes dos deputados Geraldo Mendes, conhecido como "Homem do Chapéu" (União-PR), Benes Leocádio (União-RN), Pedro Westphalen (PP-RS) e Sanderson (PL-RS).
Os registros indicam que a visita ao gabinete de Geraldo Mendes ocorreu em 7 de fevereiro, às 16h33. No dia seguinte, 8 de fevereiro, às 9h, Sidney teria acessado o gabinete de Benes Leocádio. Já as entradas nos gabinetes de Pedro Westphalen e Sanderson foram registradas nos dias 15 e 20 de fevereiro, respectivamente.
O nome de Sidney Santos aparece de forma indireta em uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou diligências relacionadas a investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Conforme a decisão judicial, um motorista foi encarregado de transportar minutas de projetos de lei entre o senador e pessoas ligadas a Vorcaro. Sidney, no entanto, não figura como investigado no processo.
Ainda segundo a decisão, os documentos tratavam de propostas relacionadas à regulamentação do mercado de créditos de carbono, tema apontado como de interesse de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. O texto também menciona que haveria orientação para que o transporte dos documentos ocorresse de forma discreta, sem identificar o Banco Master ou relacionar diretamente o material ao parlamentar.
Procurado anteriormente pela imprensa para comentar o assunto, Sidney Santos afirmou apenas que desejava manter distância do caso antes de encerrar a conversa.
Após a divulgação dos registros, parlamentares se manifestaram sobre o episódio. O deputado Sanderson afirmou que não conhece Sidney Santos, negou qualquer reunião e declarou que sua agenda oficial comprova as pessoas recebidas em seu gabinete. Segundo ele, é inadequado estabelecer qualquer vínculo entre seu mandato e uma pessoa que desconhece.
Pedro Westphalen também informou que não encontrou registros internos da suposta visita. Segundo o parlamentar, o controle de entrada é realizado pela Câmara dos Deputados e não exige autorização prévia dos gabinetes, acrescentando que continuará verificando se o visitante efetivamente compareceu ao local.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestações públicas dos deputados Geraldo Mendes e Benes Leocádio sobre as visitas registradas.
As investigações relacionadas ao caso seguem sob análise das autoridades competentes.