Deputado mudou versão sobre recursos ligados ao Banco Master; produção do longa “Dark Horse” nega irregularidades e afirma que projeto foi financiado apenas com capital privado
Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 08h27 - Atualizado às 08h27
O deputado federal Mário Frias voltou atrás após afirmar que o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro não havia recebido “um centavo do Master”. Em nova nota divulgada cerca de 20 horas depois da primeira declaração, o parlamentar reconheceu que houve uma “diferença de interpretação” sobre a origem formal dos recursos usados na produção do longa-metragem “Dark Horse”.
Vorcaro está preso em Brasília e é investigado pela Polícia Federal por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões.
Na nova manifestação, Frias afirmou que sua fala anterior fazia referência apenas à inexistência de vínculo jurídico direto entre a produção e o Banco Master.
“Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta”, declarou o deputado.
A produtora GOUP Entertainment também divulgou comunicado negando qualquer participação direta de Vorcaro ou do Banco Master no financiamento do longa.
“A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”, informou a empresa.
Apesar das negativas, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que a empresa Entre Investimentos — citada por Frias como responsável pelo vínculo contratual — recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por suposta participação em fraudes relacionadas ao Banco Master.
Ainda não há confirmação sobre quanto desse valor teria sido destinado efetivamente à produção do filme.
Segundo reportagem do Intercept, o acordo total previa repasses de R$ 124 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões já teriam sido pagos por Vorcaro.
Após a repercussão do áudio, Flávio Bolsonaro confirmou que pediu dinheiro ao banqueiro para viabilizar o projeto, mas negou qualquer irregularidade.
“Sim, tinha um contrato que, ao não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído”, afirmou o senador em vídeo publicado nas redes sociais.
O documentário “A Colisão dos Destinos”, que retrata a trajetória de Bolsonaro desde a infância até a Presidência da República, estreou nesta quinta-feira (15), em meio à repercussão das investigações e da origem dos recursos ligados ao projeto.
Mário Frias também afirmou que o longa tem sofrido ataques desde o anúncio da produção.
“Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas”, declarou.
A GOUP Entertainment afirmou ainda que o projeto foi estruturado dentro das regras do mercado audiovisual internacional e destacou que acordos de confidencialidade impedem a divulgação pública da identidade de alguns investidores.
“A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações”, concluiu a nota.