Relações Internacionais

Marco Rubio envia carta a Flávio Bolsonaro e critica políticas comerciais do Brasil

Secretário de Estado dos EUA aponta práticas brasileiras como restritivas ao comércio americano e reforça interesse em ampliar relações com futuros governos eleitos no país.

Marco Rubio enviou carta a Flávio Bolsonaro criticando políticas comerciais brasileiras e defendendo o fortalecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 26/06/2026, às 10h53

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro na qual afirma que determinadas políticas adotadas pelo Brasil estariam impondo restrições ao comércio norte-americano.

O documento, datado de 23 de junho, foi divulgado nesta quinta-feira (26) e aborda temas relacionados ao comércio bilateral, segurança regional, combate ao crime organizado e o cenário político brasileiro.

Na correspondência, Rubio cita uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos sobre práticas comerciais brasileiras e afirma que o Escritório do Representante Comercial dos EUA concluiu que algumas medidas adotadas pelo Brasil seriam "irracionais ou discriminatórias", gerando impactos negativos para empresas e investidores norte-americanos.

Entre os pontos mencionados pelo secretário estão divergências envolvendo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, aplicação de normas anticorrupção e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

Rubio também ressaltou que o governo americano abriu um período de consulta pública para discutir possíveis medidas de resposta comercial e afirmou que cidadãos, empresas e instituições brasileiras poderão participar do processo.

Além das questões econômicas, o secretário agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

No trecho político da carta, Rubio declarou que Washington acompanha com atenção o cenário eleitoral brasileiro e afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a manter diálogo e cooperação com os líderes escolhidos democraticamente pelos brasileiros nas eleições de 2026.

O documento também menciona a visita recente de Flávio Bolsonaro à capital norte-americana e reforça o interesse dos EUA em aprofundar a parceria estratégica entre os dois países.

A manifestação ocorre em meio a um momento de discussões comerciais entre Brasília e Washington e pode ampliar o debate sobre as relações econômicas e diplomáticas entre as duas maiores economias do continente.

Leia a íntegra da carta:

“Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington.

Compartilho sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Aprecio profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras de acordo com a legislação dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas organizações ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano do crime organizado transnacional.

Como o senhor observa, o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, anunciou em 1º de junho de 2026 sua determinação de que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos.

Ele propôs uma ação de resposta para consulta pública. Essa determinação e a ação de resposta proposta decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente Trump.

O embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter diferenças substanciais quanto à resolução das questões identificadas nessa investigação.

Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais consideradas injustas, à aplicação das normas anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública sobre a ação de resposta proposta e da audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos realizará em 6 de julho de 2026.

O período de consulta pública permanece aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para participação na audiência deveriam ter sido apresentados até 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável.

Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito.

Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica para o comércio e os investimentos.

Aguardo a continuidade de nosso diálogo e o aprofundamento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações.

Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

Marco Rubio.”

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