Indicação do governo mobiliza base e oposição, com expectativa de votação apertada apesar de projeções otimistas
Letícia Sales Publicado em 29/04/2026, às 10h00
O advogado-geral da União, Jorge Messias, será sabatinado nesta quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em sua tentativa de ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação ocorre em meio a uma disputa política intensa, que deve ser definida voto a voto entre aliados do governo e a oposição.
Para avançar, Messias precisa do apoio da maioria dos senadores presentes na comissão. Independentemente do resultado, a indicação seguirá para o plenário, onde serão necessários ao menos 41 votos favoráveis. Em ambas as etapas, o voto é secreto, o que aumenta a imprevisibilidade do desfecho.
Apesar do clima de tensão, parlamentares da base governista demonstram confiança e projetam uma aprovação relativamente confortável, com estimativas que variam entre 43 e 48 votos no plenário. Ainda assim, o histórico recente de votações apertadas no Senado mantém o cenário em aberto.
A indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025 gerou atritos dentro do próprio campo político. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga, o que levou a um atraso no envio formal da indicação.
Nos bastidores, articulações recentes indicam uma tentativa de distensão. Um encontro fora da agenda, realizado na residência do ministro Cristiano Zanin, reuniu Messias, Alcolumbre, Pacheco e Alexandre de Moraes. Aliados do indicado classificaram a reunião como um gesto de reaproximação, enquanto interlocutores do presidente do Senado afirmam que ele não assumiu compromisso de apoio, mas garantiu a condução institucional do processo.
Na reta final antes da sabatina, o governo também intensificou a articulação política. A liberação de cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares e o apoio formal de lideranças políticas reforçam a estratégia para consolidar votos. Um dos gestos mais explícitos veio do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que declarou: “Bloqueei toda minha agenda. Chegarei com ele e ficarei ao lado dele até o fim como um gesto de apoio”.
A sabatina seguirá o rito tradicional da Comissão de Constituição e Justiça: apresentação inicial do indicado, seguida de rodadas de perguntas feitas pelos senadores. Cada parlamentar terá até dez minutos para questionar, enquanto o tempo de resposta de Messias não deve ser limitado.
Antes dele, a comissão ainda analisará outros dois nomes para cargos no Judiciário. A expectativa é que a sessão seja longa e decisiva para o futuro da indicação ao STF.