Instituição afirma que interrompeu a cooperação climática mantida com o país vizinho desde a Guerra das Malvinas e condiciona retomada a um pedido formal de desculpas pelas declarações do presidente argentino.
Redação Publicado em 28/07/2026, às 10h36
A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou a suspensão da assistência climática que afirma prestar à Argentina desde 1982, durante a Guerra das Malvinas. A decisão, segundo a entidade, foi motivada pelas recentes declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o Brasil durante sua participação na convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último fim de semana.
Em comunicado, a fundação declarou que interrompe a parceria até que haja um pedido formal de desculpas ao Brasil. A instituição afirmou que a medida ocorre em um momento considerado sensível para a Argentina, com a aproximação dos efeitos do fenômeno El Niño.
"A Argentina estará por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño", afirmou a fundação na nota divulgada à imprensa.
A Fundação Cacique Cobra Coral é conhecida por declarar que realiza intervenções espirituais com o objetivo de influenciar fenômenos meteorológicos. Ao longo de sua trajetória, a entidade afirma ter colaborado com governos, empresas e instituições públicas em diferentes ocasiões, embora essas alegações não sejam reconhecidas pela comunidade científica nem possuam comprovação científica.
Entre os episódios citados pela fundação está uma atuação durante a crise energética enfrentada pela Argentina em 1989. Segundo a entidade, teria sido realizada uma operação para favorecer a ocorrência de chuvas em bacias hidrográficas estratégicas, buscando elevar os níveis dos reservatórios utilizados na geração de energia hidrelétrica.
A suspensão da cooperação foi anunciada poucos dias após Javier Milei discursar na convenção do PL, em Brasília, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Durante o discurso, o presidente argentino criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o Brasil vive um processo de perseguição política e fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das declarações, Milei chamou o magistrado de "lixo careca" ao comentar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As falas provocaram reação do governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos e divulgou nota classificando as declarações como ofensivas às instituições democráticas brasileiras e ao povo do país.
Também nesta segunda-feira, a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PV e PCdoB — protocolou uma notícia de fato na Procuradoria-Geral Eleitoral solicitando a apuração da participação de Javier Milei no evento partidário realizado pelo PL.
Enquanto isso, a Fundação Cacique Cobra Coral informou que manterá suspensa qualquer atuação relacionada ao território argentino até nova avaliação da situação diplomática.