Senador usou evento no interior paulista para atacar governo Lula, cobrar liberação de medicamento milionário e reforçar discurso contra condenações no STF
Letícia Sales Publicado em 16/05/2026, às 15h42
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reuniu críticas ao governo federal, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) durante evento realizado neste sábado (16), em Sorocaba, no interior de São Paulo. O encontro marcou o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP) ao Senado.
Em um dos momentos mais emocionados do discurso, Flávio chamou ao palco a mãe de Arthur Jordão, criança de seis anos diagnosticada com distrofia muscular de Duchenne (DMD). A família conseguiu na Justiça o direito ao tratamento com o medicamento Elevidys, estimado em R$ 17 milhões, mas afirma enfrentar demora na liberação da medicação pela Anvisa.
“A Anvisa não se manifesta, ela demora dez meses para responder se a medicação pode fazer efeito. A gente não tem com quem falar, e eles estão estudando. Enquanto meu filho perde músculos todos os dias”, declarou a mãe do menino.
Flávio aproveitou o relato para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e cobrar agilidade da agência reguladora.
“Quero aproveitar e pedir à Anvisa: acelere a liberação desse medicamento. Autorize logo a entrada desse medicamento aqui no Brasil. Gastou R$ 1,4 bilhão no cartão corporativo e não quer pagar R$ 17 milhões num remédio para salvar uma vida?”, afirmou o senador.
O medicamento Elevidys teve a comercialização e o uso temporariamente suspensos pela Anvisa em julho de 2025 após alertas internacionais sobre casos graves de insuficiência hepática aguda, incluindo registros fatais após a aplicação do tratamento.
Nos bastidores políticos, a Anvisa voltou a ser alvo de críticas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente após a suspensão de produtos da marca Ypê por suspeita de contaminação. Aliados do bolsonarismo acusam a agência de perseguição política, embora o diretor responsável pela medida tenha sido indicado durante o governo Bolsonaro.
Além das críticas à Anvisa, Flávio também fez um discurso em defesa dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e pela trama investigada no STF. O senador afirmou que, caso seja eleito presidente em 2026, pretende promover anistia aos envolvidos.
“Quero começar falando com cada uma das centenas de brasileiros que também foram vítimas da maior farsa que a história já viu, capitaneada por um ministro do Supremo Tribunal Federal para interferir nas eleições, desequilibrar a disputa, escolher seus alvos pré-determinados, escolher quem seriam os investigadores, decidir que provas seriam aceitas, condenar com base em invenções sem fundamento, sem provas”, declarou.
Na sequência, o parlamentar prometeu homenagear os condenados junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Todos vocês, cada uma dessas famílias, a gente vai honrar vocês. Vocês vão junto com o presidente Bolsonaro subir aquela rampa do Palácio do Planalto em 2027 junto com a gente”, completou.
Inelegível até 2030 e condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro escolheu Flávio como principal nome do grupo político para disputar a Presidência da República. O senador superou internamente nomes como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), também discursou no evento e defendeu maioria bolsonarista no Congresso para aprovar projetos ligados ao grupo político.
“O Flávio não vai governar sozinho. Se ele não tiver maioria na Câmara e no Senado fica difícil ter governabilidade (…) Se não tiver base, não vota. Temos que votar a anistia, temos que fazer a reformulação do Judiciário e tantas outras pautas importantes. Porque eu e o Derrite temos coragem”, afirmou.