Suspeita

Deputado democrata pede que Infantino depoa ao Congresso sobre vínculos da Fifa com Trump

Jamie Raskin exige entrega de registros sobre presentes, viagens e contatos entre a entidade e o governo americano até 9 de agosto

Governo americano defende Trump, destacando benefícios econômicos da Copa do Mundo em 2026 e criticando as acusações - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 28/07/2026, às 09h53

A relação entre a Fifa e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ser questionada no Congresso americano. O deputado democrata Jamie Raskin, membro de maior hierarquia do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, enviou uma carta ao presidente da entidade, Gianni Infantino, cobrando explicações sobre os laços da organização com a Casa Branca.

O que pede o documento

De acordo com a carta, obtida pelo jornal The Athletic, Raskin solicita que a Fifa entregue, até o dia 9 de agosto, todos os registros de contatos entre a entidade, Trump, membros de seu governo e a Organização Trump, empresa da família do presidente.

Entre os itens exigidos estão listas de presentes, premiações, transferências financeiras, aparições públicas e qualquer outro benefício concedido ao presidente, seus familiares ou pessoas ligadas à administração. O parlamentar também pediu os registros de visitantes dos escritórios da Fifa em Miami e na Trump Tower, em Nova York, além da preservação de mensagens trocadas por aplicativos como WhatsApp, Signal, Telegram, X e Truth Social.

Aproximação que já durava meses

A cobrança surge após uma sequência de episódios que estreitaram a relação entre Infantino e o governo Trump. Nos meses anteriores à Copa do Mundo de 2026, a Fifa criou e concedeu ao presidente americano o inédito Prêmio da Paz da Fifa, alugou um escritório na Trump Tower e transferiu o sorteio do Mundial de Las Vegas para o Kennedy Center, em Washington — instituição hoje administrada por aliados do presidente.

Durante o próprio torneio, o vínculo voltou a repercutir quando Trump telefonou para Infantino pedindo a revisão da suspensão do atacante americano Folarin Balogun antes de uma partida eliminatória. Pouco depois, a Fifa liberou o jogador para atuar, afirmando que a decisão havia sido tomada de forma independente.

Investigações arquivadas

Na carta, Raskin também questiona a decisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de arquivar processos ligados às investigações de corrupção no futebol internacional iniciadas em 2015. Para o deputado, a mudança de postura do governo coincidiu com a aproximação entre a Fifa e Trump.

"Essas ações parecem ter como objetivo induzir o presidente Trump e sua administração a tomarem decisões favoráveis à Fifa", escreveu o parlamentar na carta.

Casa Branca rebate acusações

O governo americano respondeu por meio do porta-voz Davis Ingle, que criticou as declarações de Raskin e defendeu a organização do torneio.

"Graças à visão e à liderança do presidente Trump, a Copa do Mundo de 2026 gerou bilhões de dólares em receita, impulsionou a economia das cidades-sede e proporcionou uma experiência segura para milhões de torcedores e atletas", afirmou Ingle.

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