Celso Vilardi, advogado de Bolsonaro, contesta a ideia de que pronunciamentos online poderiam caracterizar crime sem violência ou ameaça
William Oliveira Publicado em 25/03/2025, às 12h16
Nesta terça-feira (25), durante audiência da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, apresentou argumentos fortes contra as acusações que envolvem o ex-presidente em um suposto plano de golpe de Estado. Vilardi afirmou que seria incoerente afirmar que Bolsonaro, enquanto presidente, teria arquitetado um golpe contra o governo que ele mesmo liderava.
"Estamos tratando de uma execução que se iniciou em dezembro de 2021, tratando do crime contra o governo legitimamente eleito. Qual era o governo legitimamente eleito? O dele! Então esse crime é impossível, com todo respeito", destacou o advogado, sublinhando a falta de lógica nas acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Defesa contesta ausência de violência
O advogado também refutou a ideia de que pronunciamentos feitos por meio de transmissões ao vivo pudessem ser suficientes para caracterizar um crime, já que os tipos penais mencionados exigem a presença de violência ou grave ameaça. " Não existia violência nem grave ameaça. Então, é impossível falar dessa execução", argumentou.
Vilardi ainda ressaltou que Jair Bolsonaro é o presidente mais investigado da história do Brasil, citando diversas investigações da Polícia Federal (PF), incluindo os casos da falsificação de comprovante vacinal e das joias sauditas.
Além disso, o advogado destacou que as minutas golpistas encontradas na sede do Partido Liberal (PL) e na residência do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, não tinham a assinatura de Bolsonaro. "Com o presidente não se achou absolutamente nada", afirmou Vilardi.
A Primeira Turma do STF avalia atualmente as denúncias contra Bolsonaro e mais sete indivíduos. Se forem considerados réus, eles enfrentarão acusações como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e outros crimes relacionados à violência e danos ao patrimônio público.