Pré-candidato ao Planalto prepara novo gesto ao eleitorado feminino e deve assumir compromisso de indicar ministras ao Supremo caso seja eleito presidente.
Redação Publicado em 03/07/2026, às 10h25
Em meio aos desdobramentos da crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma nova estratégia para fortalecer sua imagem junto ao eleitorado feminino. Segundo aliados, o pré-candidato à Presidência da República pretende defender publicamente a ampliação da presença de mulheres no Supremo Tribunal Federal (STF), assumindo o compromisso de indicar ministras para a Corte caso chegue ao Palácio do Planalto.
A iniciativa surge após semanas de desgaste político provocado pelas declarações de Michelle, que afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado durante divergências internas envolvendo a condução política do Partido Liberal. A repercussão do episódio mobilizou lideranças da direita e levou a campanha de Flávio a intensificar ações voltadas ao público feminino.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que o senador pretende defender especialmente a indicação de uma mulher para substituir a ministra Cármen Lúcia, atualmente a única representante feminina entre os integrantes do STF. Nos próximos anos, o próximo presidente da República deverá indicar ao menos três novos ministros para a Corte, em razão das aposentadorias previstas de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
O compromisso faz parte de uma série de movimentos planejados pela equipe de Flávio para reduzir os impactos da crise e aproximar sua pré-campanha de lideranças conservadoras mulheres. Nesta semana, o senador já participou de um encontro com representantes femininas do campo conservador, ocasião em que também repudiou declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre o comportamento eleitoral das mulheres.
Embora o evento já estivesse previsto antes da divulgação dos vídeos de Michelle Bolsonaro, a reunião ganhou novo significado político diante do cenário de tensão dentro do grupo bolsonarista.
Aliados avaliam que ampliar o diálogo com o eleitorado feminino tornou-se prioridade para a campanha, especialmente após pesquisas indicarem resistência entre parte desse segmento. A defesa da participação de mulheres em cargos de destaque no Judiciário passa a integrar o discurso que o senador pretende adotar durante a corrida presidencial.
A estratégia também ocorre em um momento de reorganização interna do PL, que busca preservar a unidade do grupo político após a saída de Michelle Bolsonaro da presidência nacional do PL Mulher e as divergências públicas envolvendo integrantes da família Bolsonaro.