Investigação revela que alunos se passaram por funcionários para cobrar taxa de matrícula indevida na Famerp
Marina Milani Publicado em 24/02/2025, às 17h57
Uma investigação foi iniciada em relação a alunos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), localizada no interior paulista, que estariam aplicando um golpe a calouros durante a semana de recepção de 2025, realizada no início de fevereiro. Os estudantes se passaram por funcionários da instituição com o intuito de exigir uma taxa de matrícula, um pagamento desnecessário, uma vez que a Famerp é uma instituição pública.
Por meio de uma nota oficial, a Famerp repudiou a atitude dos alunos envolvidos no incidente e assegurou que estão sendo adotadas medidas administrativas e legais para responsabilizar os autores e evitar prejuízos a terceiros. A instituição reafirmou seu compromisso com práticas éticas, destacando que não tolera trotes ou qualquer forma de abuso. "A Famerp permanece dedicada à excelência na formação de médicos, enfermeiros e psicólogos, promovendo um ambiente educacional seguro e inclusivo para todos os estudantes", diz a nota.
O Centro Acadêmico Euryclides Zerbini, que representa os alunos da faculdade, juntamente com a Associação Atlética Acadêmica Euryclides Zerbini e a Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina, divulgou uma nota de repúdio nas redes sociais. No documento, os grupos criticaram os trotes que extrapolam os limites da ética e do respeito.
"Os trotes provocam danos psicológicos e emocionais aos estudantes, especialmente aos calouros, que enfrentam um período delicado de adaptação à vida universitária", afirmaram os representantes estudantis.
Desde junho de 2015, o estado de São Paulo possui uma legislação que proíbe qualquer tipo de trote em instituições públicas de ensino. A lei, proposta pelo deputado Rafael Silva (PSB), prevê punições severas, como expulsão para alunos envolvidos em atos abusivos e exoneração para servidores públicos.
Mais recentemente, em agosto de 2024, o governo do estado, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), promulgou uma nova legislação que obriga universidades e faculdades a implementar medidas efetivas contra trotes violentos. Essa legislação estabelece processos disciplinares e penalidades para os alunos infratores, sendo proposta pela deputada estadual Thainara Faria (PT).