SUSTENTABILIDADE

USP e FGV lançam app que recompensa ciclistas com passagens

Com o app, ciclistas registram suas viagens e recebem créditos proporcionais à distância percorrida, integrando o uso da bicicleta ao transporte público

Iniciativa busca aumentar o uso de bicicletas em São Paulo - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 17/06/2025, às 08h00

A Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Prefeitura de São Paulo, estão implementando um aplicativo inovador no âmbito do programa Bike SP. A proposta visa incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte, recompensando ciclistas com créditos no Bilhete Único, conforme a distância percorrida. O sistema, desenvolvido ao longo dos últimos dois anos, encontra-se atualmente em fase de testes e deverá ser expandido em agosto, com a inclusão de voluntários no processo.

As inscrições para participar do estudo já estão abertas e podem ser realizadas até o dia 30 de junho.

Diante dos recorrentes congestionamentos na capital paulista, a bicicleta desponta como alternativa viável e sustentável. A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito, responsável pela condução da iniciativa, conta com o apoio técnico do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP), que desenvolveu o aplicativo voltado à coleta de dados sobre as viagens dos usuários.

“A proposta é transformar quilômetros pedalados em incentivos financeiros, integrando o uso da bicicleta com o transporte público”, explica o professor Fábio Kon, do IME-USP.

Segundo ele, a tecnologia permitirá não apenas o oferecimento de recompensas aos ciclistas, mas também um mapeamento detalhado dos hábitos de deslocamento na cidade. Isso contribuirá diretamente para o planejamento de novas ciclovias e ciclofaixas, com base nas rotas mais utilizadas.

Kayke Cintra, estudante de Ciência da Computação na USP e um dos desenvolvedores da ferramenta, esclarece que sua operação é simples: o ciclista inicia a viagem pelo aplicativo, pedala até o destino e encerra o percurso para registrar a distância.

“Toda vez que uma viagem for completada, o usuário recebe um valor proporcional ao trajeto percorrido, que será creditado no Bilhete Único”, detalha Kayke.

Atualmente, apenas as duas primeiras viagens realizadas por dia são recompensadas. Para que os créditos sejam concedidos, os trajetos devem ter entre 1 e 8 quilômetros. Os valores acumulados serão disponibilizados semanalmente e poderão ser utilizados nas máquinas de recarga localizadas em terminais e estações de transporte público.

A próxima fase do projeto pretende atrair até mil voluntários para testar a plataforma e ajudar a definir o valor ideal por quilômetro pedalado. Além disso, a pesquisa busca identificar quais perfis sociais devem ser priorizados na futura implementação do programa.

Ciro Biderman, pesquisador da FGV Cidades e também coordenador da iniciativa, destaca:

“Hoje, menos de 2% das viagens em São Paulo são feitas de bicicleta [...] Isso é muito pouco. A bicicleta é um meio de transporte mais eficiente, saudável e menos poluente. Precisamos fazer com que mais gente enxergue seu potencial.”

A Lei 16.574/2016, sancionada durante a gestão de Fernando Haddad (PT), já previa a concessão de créditos aos usuários do Bilhete Único. No entanto, à época, a falta de estudos técnicos impediu a regulamentação da medida.

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