Influenciadora está presa desde maio e é apontada pela polícia como peça importante em esquema financeiro ligado ao PCC
Letícia Sales Publicado em 09/06/2026, às 10h25
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve analisar nesta terça-feira (9) um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Presa desde o dia 21 de maio, ela é investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O julgamento ocorre após a presidência do STJ rejeitar um pedido anterior da defesa sob o entendimento de que ainda era necessário aguardar a análise de recurso semelhante pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Durante a sessão, estão previstas as manifestações do advogado de Deolane, Aury Celso Lima Lopes Junior, e do promotor Arthur Pinto de Lemos Junior. A expectativa é que os ministros decidam se o recurso pode avançar e se há elementos para rever a prisão preventiva da influenciadora.
Os advogados sustentam que não existem requisitos legais que justifiquem a manutenção da prisão. Segundo a defesa, não há risco à ordem pública, à instrução do processo ou possibilidade de fuga, além de destacarem que os principais elementos de prova já estão sob controle das autoridades.
Ao rejeitar o pedido anterior, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, afirmou que o caso ainda deveria ser analisado pelas instâncias inferiores antes de eventual intervenção da Corte Superior.
“No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem”, afirmou o ministro.
Ligação com operador financeiro da facção
A investigação aponta que Deolane mantinha relação próxima com Everton de Souza, conhecido pelos apelidos “Player” e “Temer”. Segundo a Polícia Civil, ele atuava como operador financeiro ligado à cúpula do PCC e seria responsável por administrar bens e movimentações financeiras atribuídos a integrantes da organização criminosa.
De acordo com os investigadores, a conexão entre Everton e a influenciadora é um dos principais pontos do inquérito. A polícia afirma que transferências financeiras, registros documentais e vínculos pessoais reforçariam a suspeita de participação em um esquema de ocultação de recursos.
As apurações identificaram transferências bancárias que somam milhares de reais e também depósitos em espécie superiores a R$ 1 milhão realizados entre 2018 e 2021, sem origem comprovada, segundo a investigação. A defesa afirma que os valores são compatíveis com a atuação profissional de Deolane como advogada.
Além das movimentações financeiras, a polícia aponta que a influenciadora figurou como representante legal de Everton em procedimentos policiais e mantinha contato frequente com ele. Depoimentos colhidos durante a investigação também indicam uma relação próxima entre ambos.
Investigação começou em 2019
O caso teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham referências à estrutura interna do PCC e a possíveis ações planejadas pela organização criminosa.
A partir dessas informações, a Polícia Civil identificou uma empresa de transporte supostamente utilizada para movimentar recursos da facção. A descoberta levou à Operação Lado a Lado, realizada em 2021, que revelou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade formal da empresa.
Durante a operação, investigadores encontraram indícios de transferências para Deolane e aprofundaram a análise sobre sua movimentação financeira. Segundo a polícia, a influenciadora movimentou mais de R$ 13 milhões em contas pessoais entre 2018 e 2022, enquanto cerca de R$ 14 milhões passaram por empresas ligadas a ela.
As investigações continuam em andamento e a Justiça ainda analisará o mérito das acusações. Até o momento, não há condenação contra a influenciadora, que nega irregularidades e afirma que todos os recursos possuem origem lícita.