Programa estadual cruza dados de operadoras e boletins de ocorrência para localizar aparelhos e notificar usuários
Erika Osti Publicado em 27/04/2026, às 18h50
O governo de São Paulo avançou na estratégia de combate a roubos e furtos de celulares e já soma mais de 23 mil aparelhos recuperados desde a criação do programa SP Mobile, em 2025. Em mais uma etapa recente, a Polícia Civil devolveu nesta segunda-feira (27), cerca de 380 celulares aos donos, resultado de um sistema que cruza informações de boletins de ocorrência com dados das operadoras para rastrear dispositivos com registro de crime. A iniciativa agora entra em uma nova fase, com integração nacional para ampliar o alcance das investigações e aumentar o número de devoluções.
O SP Mobile se consolidou como uma das principais ferramentas no enfrentamento desse tipo de crime no estado. A tecnologia utiliza o número de identificação do aparelho, o IMEI, para localizar celulares que voltam a ser ativados após roubo ou furto. Quando o sistema detecta um dispositivo com restrição, a Polícia Civil identifica o usuário atual e envia uma notificação informando a origem ilegal, orientando a devolução.
Desde o início do programa, cerca de um terço dos aparelhos recuperados já foi devolvido às vítimas, o que representa pouco mais de 7 mil celulares restituídos. Apesar do avanço, a diferença entre o total localizado e o número efetivamente devolvido ainda é um desafio. A principal dificuldade está na identificação do verdadeiro dono, que depende do registro correto do boletim de ocorrência com o número do IMEI.
A Secretaria da Segurança Pública reforça que esse registro é decisivo para o sucesso da política. Sem ele, o vínculo entre o aparelho e a vítima fica comprometido, o que pode impedir a devolução mesmo após a recuperação do celular. A orientação também inclui o bloqueio imediato do chip e do próprio aparelho junto à operadora, além da troca de senhas, para reduzir riscos de golpes.
Além de recuperar bens, o programa atua diretamente no combate à receptação. Ao notificar quem está com o aparelho irregular, a polícia cria um efeito dissuasório no mercado ilegal, reduzindo a circulação de celulares de origem criminosa.
A próxima etapa da estratégia envolve a ampliação da cooperação entre estados. Um banco de dados nacional já está em operação e deve permitir o rastreamento de aparelhos que são roubados em um estado e revendidos em outro, prática comum nesse tipo de crime. A expectativa das autoridades é que essa integração aumente significativamente a taxa de devolução e fortaleça o combate às quadrilhas especializadas.
Casos como o de vítimas que conseguem recuperar o celular meses após o crime ilustram o impacto da iniciativa. Para muitos, a devolução acontece quando já não havia expectativa de reaver o aparelho, o que reforça o papel do programa não apenas na repressão ao crime, mas também na resposta direta à população.